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Chico Buarque encontra trecho inédito da canção "Meu Caro Amigo" em carta

40 anos depois o cantor relembra momento em que escreveu a canção
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Escrito por Folha Press
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FABIO BRISOLLA RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Diante da câmera, Chico Buarque relê a carta que havia escrito em 20 de julho de 1975 para o diretor teatral Augusto Boal e se depara com um trecho inédito da música "Meu Caro Amigo". Ele recita os versos finais da letra que se perderam no tempo: "Meu caro amigo eu sei que é triste a situação/ Sei que a saudade está danada/ Mas se você quiser a minha opinião/ Você não está perdendo nada". 

Ao concluir a leitura, ele faz uma pausa e depois comenta, surpreso, sobre a parte excluída da canção: "Engraçado essa estrofe aqui, que nunca... Sobrou, é, sobrou." O vídeo com o depoimento de Chico Buarque foi gravado por Laura Liuzzi para a exposição "Meus Caros Amigos - Augusto Boal: Cartas do Exílio", que ficará em cartaz no Instituto Moreira Salles entre os dias 4 de junho e 21 de agosto. 

Nos anos em que esteve exilado fora do Brasil, Boal trocou centenas de cartas com familiares e amigos, como Fernanda Montenegro, Darcy Ribeiro, Millôr Fernandes e Chico Buarque. A exposição vai apresentar entre 30 e 40 correspondências deste período, além de fotografias e cartazes de peças apresentadas por Boal no exterior. 

"O Chico releu esta carta pela primeira vez ao gravar este depoimento, mais de 40 anos depois. E ali se emocionou ao recordar a história, além de ter esta surpresa", disse o poeta Eucanaã Ferraz, curador da exposição no IMS. O texto sobre o vídeo, escrito pelo jornalista Alfredo Ribeiro e publicado no blog do IMS nesta quinta (12), viralizou pelas redes sociais. 

Durante a pesquisa para a mostra, Cecília Boal, viúva de Augusto Boal (1931-2009), localizou também uma fita cassete enviada por Chico. Naquela época, o presente foi entregue pela irmã de Boal que viajou a Portugal para encontrá-lo. "Ela (a irmã de Boal) disse ao chegar: 'Chico mandou uma carta para você'. Quando ele abriu o envelope, tinha uma fita cassete", lembrou Cecília. Boal pegou um pequeno gravador que tinha em casa e botou a fita. "Achamos que era uma mensagem do Chico. Mas, para nossa surpresa, era uma música", disse Cecília. 

O diretor teatral estava reunido em casa com alguns amigos, entre eles, o educador Paulo Freire. Todos ouviram em primeira mão a gravação caseira de "Meu Caro Amigo" na voz de Chico Buarque e com Francis Hime ao piano. "Foi extraordinária a emoção daquele momento", recordou Cecília, que também incluiu este registro na exposição do Instituto Moreira Salles. O tal amigo da música consagrada do repertório de Chico Buarque era Augusto Boal. 

E, na sala de estar do apartamento alugado em Lisboa, a gravação começou assim: "Meu caro amigo, me perdoe, por favor/ Se eu não lhe faço uma visita/ Mas como agora apareceu um portador/ Mando notícias nessa fita".

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