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Comédia do francês Bruno Dumont é recebida sem risadas em Cannes

Escrito por Folha Press
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GUILHERME GENESTRETI, ENVIADO ESPECIAL*
CANNES, FRANÇA (FOLHAPRESS) - O diretor francês Bruno Dumont, que compete nesta edição do Festival de Cannes com a comédia de humor negro "Ma Loute", se diz satisfeito com a sua guinada nos filmes cômicos: "Dá para mostrar violência e intercalar com piruetas e o resultado ficar engraçado", disse aos jornalistas.
Não ficou engraçado. Ao menos, foi assim que 80% de suas piadas e gags foram recebidas na sessão de imprensa de seu novo longa: um silêncio praticamente sepulcral. Ao final, com os créditos, aplausos bem mornos.
A expectativa era alta. Dumont é um cineasta provocador que já causou polêmica com o visualmente explícito "La Vie de Jésus" (1997), já passou pelo drama biográfico -"Camille Claudel 1915"-e colheu elogios com o drama "A Humanidade" (1999). Sua incursão anterior pela comédia, com a hilária minissérie "O Pequeno Quinquin" (2014), já havia sido muito bem recebida em Cannes.
Na trama, que intercala elementos de horror, realismo fantástico e algum comentário sobre diferenças de classes sociais, dois investigadores têm a incumbência de lidar com desaparecimentos em série num vilarejo no litoral norte da França. A história é ambientada em algum momento pré-Primeira Guerra Mundial: de um lado da vila estão grã-finos afetados; do outro pescadores com um quê de bizarro.
Há ali elementos do anterior "Quinquin": o mesmo tipo de ambientação geográfica, as mesmas situações absurdas, os mesmos padrões de personagens exóticos. A escalação de dois medalhões do cinema francês como Fabrice Luchini e Juliete Binoche como dois sujeitos ricos também parecida promissora.
Mas ao contrário do que ocorreu com a minissérie, o humor em "Ma Loute" não empolgou.
Diversas das gags, repetidas à exaustão, parecem saídas de algum quadro de "A Praça É Nossa" (SBT) ou de "Zorra Total" (Globo) em seus anos infelizes: piadinhas com tipos físicos, berros, trapalhadas -a maioria recebida pelos jornalistas com extrema frieza.
"É quase doloroso ver grandes atores se esforçarem para parecerem tão excêntricos quanto se fossem desconhecidos não profissionais", apontou crítica da revista "Variety", segundo a qual os elementos funcionariam nas mãos de um grupo de humor como o dos ingleses do Monty Pyton, mas que não ecoariam para plateias não francesas.
O jornal britânico "The Guardian" destoou: classificou o longa como uma "bem-sucedida" guinada de Dumont à comédia pastelão.

(*) O jornalista GUILHERME GENESTRETI se hospeda a convite do Festival de Cannes

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