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Mulheres do Leste Europeu retratam o amor e a política em mostra no Rio

Escrito por Folha Press
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CAROL PRADO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um casal com rostos de Mickey Mouse troca beijos, que se tornam cada vez mais violentos, transformam-se em mordidas e acabam destruindo as máscaras dos dois. O amor é forte e frágil, capaz de criar e destruir, sugere o vídeo da artista russa Anna Jermolajewa.
A obra, como todas as que ocupam a mostra "Amor", em cartaz a partir desta terça (10) no Rio, tenta explicar como as mulheres do Leste Europeu lidam com o sentimento, e de que forma o histórico de comunismo, guerras e repressão influencia seus relacionamentos.
No filme de Jermolajewa, o amor que pode gerar resultados catastróficos não é só por um individuo, mas também a adoração fanática por uma nação, ideologia ou religião.
"Os contextos sociais e políticos desses países são distintos, mas dividem uma mesma problemática: o temor de que políticas de opressão, anexação e domínio voltem a exercer papel na sociedade", explica Denise Carvalho, que assina a curadoria ao lado da polonesa Monika Szewczyk.
"Muitos desses países estão hoje voltando ao moralismo, com governos de extrema-direita. Pouco a pouco, estão reduzindo as oportunidades de expressão artística."
A exposição reúne vídeos, instalações, fotografias e desenhos de 20 artistas de países como Polônia, Bósnia e Herzegovina, Uzbequistão, Lituânia, Ucrânia e Bulgária.
Temas como as guerras, a violência contra a mulher, a identidade de gênero e a prostituição são retratados por uma ótica que mescla subjetividade e geopolítica.
A série de desenhos "+18", de Victoria Lomasko, mostra casais de lésbicas em clubes na Rússia e as humilhações públicas a que são submetidos por grupos homofóbicos no país. O projeto destaca o aumento da discriminação contra gays após a aprovação, em 2013, de uma lei que proíbe a "propaganda homossexual" a menores e impede "ofensas aos sentimentos religiosos".
No vídeo "1395 Days Without Red", a atriz espanhola Maribel Verdú ("O Labirinto do Fauno") caminha em perigo iminente por ruas e cruzamentos.
A obra, de Sejla Kameric em colaboração com Anri Sala, ambos da Bósnia e Herzegovina, tem como base o cerco de Sarajevo (1992-1996), ocorrido durante a Guerra da Bósnia, quando a cidade foi alvo de franco-atiradores sérvios que disparavam a partir das colinas em seu entorno, após a desintegração da Iugoslávia.
"Esses trabalhos revelam como a repressão produziu formas menos óbvias de representação artística. Não são imagens clichê, têm certa autenticidade, porque têm origem no real", diz a curadora.
Para Denise, a história política da Europa oriental tornou as mulheres desses países mais capazes de enxergar o amor além das relações românticas. "As obras inserem o amor em situações sociais, políticas, e o sentimento se torna uma espécie de voz, uma ponte entre pessoas de realidades distintas."
A mostra segue em cartaz até 10 de julho, no espaço Oi Futuro, no Flamengo. A entrada é gratuita.

AMOR
QUANDO 10/5 a 10/7, de terça a domingo, de 11h às 20h
ONDE Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro, 63, tel. 21 3131-3060)
QUANTO grátis
CLASSIFICAÇÃO 14 anos

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