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    Com músicas 'de gaveta', disco do Radiohead une belos sons etéreos

    Escrito por Folha Press
    Publicado em 08.05.2016, 17:33:42 Editado em 27.04.2020, 19:50:43
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    ANDRÉ BARCINSKI
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Algumas bandas são transparentes em sua música: você ouve o disco e entende de primeira as motivações, os dramas e o momento de vida dos músicos. Não é o caso do Radiohead. Quem tenta "entender" a banda por meio de seu trabalho vai penar.
    Para começo de conversa, as letras de Thom Yorke são extremamente pessoais e crípticas. Para dificultar ainda mais, a banda gosta de deixar músicas no armário por um bom tempo antes de lançá-las. Das 11 faixas de "A Moon Shaped Pool", lançado neste domingo (8), pelo menos cinco são tocadas em shows há algum tempo -uma delas, há mais de duas décadas.
    "Burn the Witch" e "Daydreaming" já haviam sido lançados como "singles" e abrem o disco. A primeira é a música mais pesada do novo trabalho, com um arranjo orquestral intenso e sombrio. Já "Daydreaming" é lenta e lúdica, quase "ambient" de tão etérea.
    "Decks Dark" começa como uma balada atmosférica, cheia de efeitos eletrônicos, e emenda num mantra repetitivo e pesado que remete a bandas alemãs do krautrock como Neu! e Faust, amadas pelo Radiohead.
    Yorke emula Nick Drake em "Desert Island Disk", uma balada de toques folk que ele havia apresentado em shows solo no fim de 2015. A letra parece falar de um "novo começo" após uma ruptura qualquer. Nas redes sociais, fãs especulam que a letra pode ter sido inspirada pelo fim do relacionamento de 23 anos com a namorada, Rachel Owens.
    "Full Stop" é uma beleza do início do fim, começando com uma levada eletrônica grave à Portishead e virando um trip-hop. Em 2012, Yorke disse aos fãs, depois de tocá-la em um show: "Assim como vinho, ela vai melhorar com o tempo".
    O disco cai um pouco nas três faixas seguintes. "Glass Eyes" é uma balada triste e sem brilho; "Identikit" -também tocada ao vivo há pelo menos quatro anos- soa excessivamente dramática, com um coral que beira a cafonice, e "The Numbers" tem uma letra de cunho "social" que parece ter sido escrita por um moleque de 12 anos: "Nós conclamamos o povo / o povo tem o poder / os números não decidem / seu sistema é uma mentira".
    assista ao clipe
    Felizmente o disco cresce no fim, com "Present Tense" (tocada ao vivo desde 2008), com sua sonoridade latina de percussão e violão, "Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Thief", que remete às trilhas sonoras que o guitarrista Jonny Greenwood fez para Paul Thomas Anderson, especialmente "O Mestre", e "True Love Waits", faixa conhecida de shows desde 1995 e que tinha saído apenas no EP ao vivo "I Might Be Wrong", de 2001.
    Sobre uma base de piano minimalista e repetitiva, Yorke canta, do ponto de vista feminino ("Eu abdico de minhas crenças / para ter um filho seu") uma letra triste sobre um caso que parece prestes a acabar.

    A MOON SHAPED POOL
    QUANTO: US$ 13 (cerca de R$ 45, versão digital) a US$ 86,50 (cerca de R$ 305, caixa especial), em amoonshapedpool.com
    AUTOR: Radiohead
    AVALIAÇÃO: muito bom

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