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Menos underground, próxima Bienal de São Paulo anuncia lista de artistas

No elenco, poucas surpresas, a não ser a inclusão de um cineasta como Leon Hirszman - www1.folha.uol.com.br
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Escrito por Folha Press
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SILAS MARTÍ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Não deve ser tão incendiária nem tão underground quanto a última, mas a próxima Bienal de São Paulo, marcada para setembro, volta a discutir questões de gênero, além de se anunciar uma reflexão sobre ecologia e desastres ambientais, mantendo o foco em artistas mais jovens -mais de um terço de seus 91 nomes nasceram nos anos 1980.
Também tenta se firmar como plataforma de consagração para criadoras mulheres, que formam mais de metade de sua seleção, muitas delas também negras e com obras engajadas em discutir a discriminação racial.
Nesta quarta, a mostra organizada pelo alemão Jochen Volz anunciou os nomes que faltavam de sua lista de artistas. No elenco, poucas surpresas, a não ser a inclusão de um cineasta como Leon Hirszman, um dos poucos artistas já mortos a integrar o time, e Sonia Andrade, uma pioneira da videoarte no país, e de jovens, como a colombiana Alicia Barney e a brasileira Ana Mazzei.
Nomes como o do jovem Dalton Paula, premiado na última edição da feira SP-Arte, e Frans Krajcberg, polonês radicado no Brasil famoso por suas esculturas feitas de árvores mortas e que deverá realizar uma grande instalação na mostra, já haviam vazado.
Mas há conversas interessantes que podem ser estabelecidas entre artistas recém-confirmados. Mergulhados no tratamento da memória e sua implicação política, o brasileiro Jonathas de Andrade e o libanês Rayyane Tabet, revelado numa das últimas edições da Bienal de Charjah, podem formar um diálogo poderoso na mostra, assim como as visões do colombiano Carlos Motta e do brasileiro Luiz Roque, que vêm realizando potentes pesquisas sobre gênero.
Brasileiros, aliás, têm maior representação do que artistas de qualquer outro país, seguidos de norte-americanos, sul-africanos, portugueses, britânicos e colombianos. Há também muitos nomes do continente africano, de países como Camarões, Zâmbia e Zimbábue.
"Tem uma consciência de pensar onde a gente localiza a Bienal de São Paulo, que tem um papel forte na América Latina e se estende até a costa oeste da África", diz Volz. "Achamos importante focar isso."
Tanto que Volz viajou à África com a artista Vivian Caccuri há algumas semanas. Ela, aliás, deve criar para a mostra uma instalação sonora relacionando estilos musicais brasileiros a melodias criadas em Gana por ex-escravos que retornaram ao continente.
Outros artistas, como a portuguesa Carla Filipe, a brasileira Maria Thereza Alves e o camaronês Em'kal Eyongakpa, estarão à frente de projetos envolvendo plantas e jardins, no que Volz chama de trabalhos sobre a "inteligência da natureza". "É um viés que permeia a Bienal", diz o curador. "Há artistas que comentam desde a inteligência artificial a saberes dos povos indígenas."

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