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"O Formigueiro" desperdiça talento de Marco Luque

Da Redação ·
 O apresentador Marco Luque no cenário de seu novo programa, "O Formigueiro"
fonte: Divulgação/Band
O apresentador Marco Luque no cenário de seu novo programa, "O Formigueiro"

Após assistir à versão brasileira de "O Formigueiro", que estreou na Band no domingo passado, há uma pergunta a ser feita: como trazer ao país um formato tão ruim?
 

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Apesar de constar no cardápio da produtora argentina Cuatro Cabezas, responsável pelo sucesso do "CQC" e do benfeito "A Liga" (também exibidos pela emissora), a adaptação apresenta tantos problemas que nem parecia ser um formato.
 

Mas era: basta ir ao YouTube e digitar "O Formigueiro" para ver que a estreia da versão portuguesa aconteceu da mesma forma.
 

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O início do programa é uma sequência de fracas piadas em versão televisiva do gênero "stand-up comedy".
 

A sensação de incômodo fica pior com a inserção de risos e de cenas de integrantes da plateia sorrindo, como a pedir que nós, telespectadores, entremos no clima.
 

Em seguida, dois bonecos de formigas, Tana e Jura (em Portugal e na Espanha, Trancas e Barrancas), saem de uma bancada de entrevista para dialogar com os apresentadores em ritmo de rap.
 

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Louro José, de Ana Maria Braga, e o Xaropinho, de Ratinho, são criações mais originais e divertidas.
 

Marco Luque, comediante que apresenta a atração, está descontraído, mas seu maior talento, o de criar personagens, ainda não foi aproveitado na televisão.
 

Não há sequência entre os quadros seguintes, que parecem um amontoado de ideias --há, entre outros, um cientista maluco, um mágico, a criação de uma cena de novela mexicana e um jogo de tênis com tapioca como bola e frigideiras como raquetes.
 

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Nesse quesito, de falta de linearidade, lembra o humorístico "É Tudo Improviso", também na grade da Band, que ao menos foi criado com o objetivo de ser um programa sujeito ao acaso.


Deve ser saudado, todavia, o esforço da emissora de renovar sua programação, arriscando em produções e em retirar do horário nobre da grade o programa evangélico de R.R. Soares.
 

Para uma atração que logo no início avisa aos telespectadores que seu único objetivo é a diversão, faltou muito para cumprir a promessa.
 

Além disso, o horário em que é exibido (19h do domingo) tem competição já estabelecida entre Gugu (Record), Faustão (Globo) e Silvio Santos (SBT), com pouco espaço para novidades.
 

"O Formigueiro", como na vida real, é para ser evitado.