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Apartamento de Bowie em NY reúne fãs e purpurina após morte do cantor

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THAIS BILENKY
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Na ausência de um túmulo, a fachada de uma loja no térreo do prédio onde David Bowie tinha apartamento, em Nova York, tornou-se um santuário de purpurina, plumas, baquetas e declarações de amor ao músico, morto no domingo (10).
Fãs de todos os continentes prestaram homenagens ao longo desta segunda-feira (11), mas um ritual íntimo se repetirá em casas e apartamentos ainda por algum tempo.
"Quero fechar os olhos, abrir os braços e dançar suas músicas", diz o colombiano Gooby Herms, 41. "Sempre fiz isso. E sempre vou fazer."
A sul-coreana Hwa Lee, 34, deixou o som ligado ao sair de casa. Só o desligará, diz, em um mês. "Ele me ajudou a me aceitar como eu sou", conta, enquanto fotografa as flores e velas acesas em frente ao número 285 da rua Lafayette, no Soho.
"Sempre me senti fora do lugar. Na escola, não entendia as outras crianças. Quando o conheci, entendi que existia mais alguém como eu", diz Herms.
Um silêncio pairava na entrada do prédio. "O céu está cantando", alguém sugeriu. O edifício, que, no passado, serviu de fábrica de doces, foi reformado pelo arquiteto Costas Kondylis. Tem uma bela vista e, entre os moradores, estão Courtney Love e Lachlan e Sarah Murdoch, segundo o jornal "The New York Times".
INSPIRAÇÕES
Os fãs ainda recorriam a David Bowie para fazer o luto. "Ele é o meu modelo, vivendo sem arrependimentos. É irônico. Sempre quis mandar uma carta de agradecimento, mas não mandei. Agora não dá mais", contata o israelense Ron Spivak, 24.
De jaqueta de couro branco com tachas, calça de couro preta, botas com glitter prateado, óculos com brilhantes e batom vermelho, a estilista americana Amber Doyle, chegou chorando, depositou flores, agachou-se, inconformada. "É muito estranho como alguém que você nem conhece pode ter tanto impacto na sua vida", disse.
Dona de uma marca de roupas inspirada no compositor, ela lançará coleção em fevereiro baseada em seu estilo, e reconhece que a morte do ícone pode impulsionar as vendas. O figurino e as lágrimas chamaram a atenção de jornalistas presentes e, depois de algumas entrevistas, ela já parecia até contente com a repercussão de seu trabalho. "Ainda bem que passei batom antes de sair de casa", desabafou.
Cartas da Holanda, do Peru, do Chile e do Canadá foram depositadas. E, nos Estados Unidos, o músico deixará ainda mais um legado. Quando nascer, o bebê de uma colega de natação da nova-iorquina Phyllis (não quis dizer o sobrenome) se chamará Bowie.

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