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Com PC Siqueira e astros da internet, "Caravana no Ar" subverte clichê da TV

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ANAHI MARTINHO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Tirar sarro da TV dentro da própria TV: essa é a proposta do humorístico "Caravana no Ar", aposta do canal pago TBS para o ano que vem.
Mainstream na internet e um "zé ninguém" na televisão, como ele mesmo se define, PC Siqueira é o nome escolhido para comandar a atração, ao lado do ex-MTV Juliano Enrico -que acumula as funções de apresentador e roteirista.
Além da dupla, o elenco conta com 13 atores, comediantes, "viners", "youtubers" e produtores de conteúdo de diferentes plataformas. O formato é um mix de improviso, piadas roteirizadas e quadros de "game show".
Encantada com a equipe que escolheu entre palcos e smartphones, a diretora Lilian Amarante comemora: "É um coletivo de humor que reúne diferentes vertentes e um formato que mistura gêneros", explica. "E vejo que eles estão curtindo esse intercâmbio."
O xodó de Amarante é Victor Meyniel, expoente do YouTube de apenas 18 anos. "Ele é tão anárquico. Entra em cena e derruba tudo", elogia a diretora, reveladora de talentos como Marcelo Adnet, Dani Calabresa, Tatá Werneck e Paulinho Serra, na última era de ouro da MTV.
"Meu grande barato é descobrir talentos, identificá-los e dar a eles a um espaço...". Ela pausa. Não é mais preciso dar espaço a ninguém, se corrige. "Hoje todo mundo pode produzir conteúdo de humor no Snapchat, no Instagram, no YouTube. Temos uma produção audiovisual relevante sendo feita na internet. Tudo virou um grande audiovisual".
Os 20 anos de experiência atrás das telinhas não fazem de Amarante uma bitolada nos vícios do meio -pelo contrário: ela é uma entusiasta das novas plataformas e não está nem aí para as caretices e clichês da televisão. Quer mais é subverter, desconstruir a fórmula televisiva obsoleta e adicionar à nova mistura as influências que estão brotando nas novas mídias. Na mesma emissora, ela dirige também o "Show do Kibe", que brinca com o formato engessado dos talk-shows.
Outro queridinho da diretora é Victor Lamoglia, famoso na internet pelo canal Parafernalha, mas descoberto por Amarante no teatro. Frenético, ele interpreta um apresentador afetado de game show dos anos 80 no quadro "Lamoglia's Show". A energia no set era tanta que a direção disparava comandos como "aterrissa" e "menos" -ou, como se diz no internetês, "seje menas".
Ex-"CQC", Ronald Rios também integra o elenco, que ainda conta com os "viners" Cacau Lemos, Reinaldo Montalvão, Rafael Sanchez, Fernando Escarião e Ana Carolina Said, além das atrizes Bella Marcatti e Carolina Holly e da dupla Evandro Rodrigues e Allan Benatti, famosos pelo espetáculo de improviso "Jogando no Quintal".
NÃO SAIA DAÍ
Improviso é apenas um dos ingredientes do "Caravana", que também leva na receita pitadas de "humor físico, humor verborrágico e humor anárquico", nas palavras do roteirista e apresentador Juliano Enrico. E os quadros não se restringem ao estúdio: externas também estão previstas, como o "Smartphone Games", em que Enrico interage com transeuntes em espaços públicos da capital paulista.
"A linguagem televisiva não faz mais sentido, e isso é fonte inesgotável de piadas. A gente revela truques de bastidores e brinca com essa formalidade da TV, do apresentador que dá 'boa noite' ao público, pede para não mudar de canal, 'não saia daí'", aponta ele, que no entanto evita o termo "tiração de sarro". "Encaro mais como uma homenagem à TV, àquela TV dos anos 80, de tubo". Em seus roteiros, emprega referências como o seriado "Sandy & Junior", Robocop, Odete Roitmann e Gugu Liberato.
TELE-FETICHE
No universo de possibilidades infinitas da internet, o que explicaria a opção de empreendedores bem-sucedidos na rede, como PC Siqueira, a querer ter um programa na TV? Seria a telinha ainda um fetiche? Segundo o próprio, a pura vontade de diversificar as áreas de atuação. Mas ele deixa bem claro que só aceita propostas que permitam manter seus canais no YouTube como prioridade.
No início do ano, PC, que já apresentou programas na MTV, recusou uma vaga no "CQC" (Band) porque tomaria muito do seu tempo. A internet continua sendo de longe sua maior fonte de renda.
"É na internet que eu tenho meu valor. Lá sou 'mainstream'. Na TV sou um zé-ninguém, trabalho em canais obscuros, em programas que ninguém assiste", brinca. Sua naturalidade e até um certo despreparo acabam sendo o ponto forte, e não o fraco. "Jamais conseguiria apresentar como um grande apresentador, tipo o Rodrigo Faro". E, do ponto de vista da proposta do programa, esse é justamente o trunfo.

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