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Semana na TV tem "Boyhood" e "De Volta para O Futuro"

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INÁCIO ARAUJO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Confira os principais filmes da TV paga e aberta desta semana.

SEGUNDA-FEIRA (28)
"Boyhood - Da Infância à Juventude" (2014, TC Premium, 22h) é um desses projetos de longo prazo de Richard Linklater que lhe conferem grande prestígio na comunidade hollywoodiana (por deixar o aspecto comercial em segundo plano), mas implicam certo risco. Pode dar certo ao menos em alguns exemplares, como no caso da trilogia que acompanhou por 20 anos as relações amorosas entre Ethan Hawke e Julie Delpy. Aqui, a ideia era acompanhar o desenvolvimento de uma criança dos 5 aos 18 anos. Não é problemático que fosse um filme de atores e não um documentário. Mais problemático é que o interesse do desenvolvimento do menino é menos que flutuante. O que não impediu o filme de ter sido até mesmo favorito ao Oscar deste ano.

É quase certo que o espectador se divirta muito mais com "Jackie Brown" (1997, Paramount, 18h50), o Quentin Tarantino que mais e melhor mostra seres de verdade.

TERÇA-FEIRA (29)
Rever "História sem Fim" (1984, TCM, 19h55) hoje é ser carregado a um outro mundo. E isso não por causa da diminuta qualidade da maior parte das cópias do TCM. E nem por causa da história do menino que, em fuga, entra numa livraria e acaba topando com um livro que o conduz aos mais fascinantes mundos. Essa fábula sobre a leitura de Wolfgang Peterson hoje parece se referir a um mundo fictício: um tempo sem internet ou zapzap, em que o telefone era algo fixo e feito para se falar ao telefone. Isto é: o livro mágico do menino o conduz a um mundo arcaico e fabuloso. O filme, visto hoje, evoca um mundo talvez fabuloso, mas, certamente, arcaico. A questão: será capaz de ainda fascinar um menino para o universo da leitura? Ou de convencê-lo a ler outra coisa que não as mensagens do Facebook?

QUARTA-FEIRA (30)
O cinema de Karim Aïnouz não comporta futuro. Tudo se joga no presente. Da Suely de "O Céu de Suely" (2006, Canal Brasil, 2006) sabemos que ela volta à sua cidade depois de ter estado em São Paulo. Não volta para o Nordeste que nos acostumamos a conhecer. No lugar do jegue entrou a motinha —entre outras mudanças. Suely decide leiloar seu corpo. E do que seria isso signo? De uma liberdade adquirida no Sul, numa metrópole? De uma independência completa em relação aos homens que compram sofregamente a rifa? Tudo nos surpreende: por que ela age assim? Será uma maneira de submeter os machos transformando-os em consumidores? Oferecendo-lhes algo a que não dá o valor sagrado que se dava em outros tempos? O certo: não convém perguntar o que será de Suely. É o presente que importa neste filme que fez de Hermila Guedes uma das principais atrizes de sua geração.

QUINTA-FEIRA (1º)
O belo, estranho, talentoso "Os Guarda-Chuvas do Amor" é objeto hoje da não menos talentosa série "Filmes que Marcaram Época" (2013, Curta!, 15h).
Ao contrário da tradição americana do musical, o francês Jacques Demy topou bater de frente, em 1964, com a guerra de libertação da Argélia, a saber: trata-se aqui da separação do casal Catherine Deneuve/Nino Castelnuovo, quando este é forçado a partir para a guerra colonial. Filme mais que original.

Bem, para quem não gostar, servirá como aquecimento para "Tropas Estelares" (1997, TC Action, 15h40), ficção científica de Paul Verhoeven que, pela originalidade mesmo, acabou espantando muita gente a seu tempo.

Mais à noite, em "Filadélfia" (1993, HBO Plus, 1h30), um advogado com Aids processa o escritório de advocacia que o demitiu. O filme de Jonathan Demme é também um show de Tom Hanks e Denzel Washington.

SEXTA-FEIRA (2)
Sim, o Richard Gere de "Gigolô Americano" (1980, TC Cult22h) é belo, sensual, atraente às mulheres tal seria... Seu trabalho (viver à custa de mulheres ricas e carentes) lhe permite participar com sobras do universo do consumo. Algo, no entanto, escapa ao desenho de perfeição que em dado momento se esboça: existe algo de frágil, de tremendamente vulnerável na personagem masculina. Daí para a trama que se segue é um pulo. E estamos então num universo bem ao gosto do diretor e roteirista Paul Schrader, onde sexo, política e crime se misturam, ou antes, se completam. De certa forma esse é o sinal de nossa própria fragilidade, de um Deus que se fecha a nós, que castiga. Sim, porque Schrader (que escreveu, entre outros, "Taxi Driver") é um místico. Problema a notar neste belo filme: à ótima escolha masculina corresponde a uma Lauren Hutton um tanto sem graça.

SÁBADO (3)
O canal HBO Plus promove maratona Freddy Kruger, começando por "A Hora do Pesadelo" (1984, 21h45). É ali que surge o temível personagem que tem a propriedade de invadir os sonhos das pessoas. Esse é o menor dos males: o problema com Freddy é que, com ele, os perigos dos sonhos, mesmo a morte, transitam da imaginação para a realidade. E é nisso, sobretudo, que consiste o horror de Wes Craven: todo real deriva da ideia e da imaginação humana.

A maratona segue com os exemplares "2" (1985, 23h25), "3" (1987, 1h) e "5" (1989, 2h40) da série (nenhum dirigido por Craven).

Em registro mais fantasmagórico que outra coisa, "Presença de Anita" (1950, Cultura, 0h) marca a presença, também, da produção da Cinematográfica Maristela.

Em outro clima, no simpático "Reds - Aposentados e Perigosos" (2010, TC Action, 15h25), uma pilha de atores veteranos, Bruce Willis à frente, diverte-se muito. Mais até do que nós.

DOMINGO (4)
Um domingo muito especial. Quem pretenda ficar no registro policial topará logo com o estupendo "Crime Verdadeiro" (1999, MaxPrime, 17h45).
Ali, Clint Eastwood, além de dirigir, faz o repórter com carreira em crise que, contra a vontade, vai fazer "matéria humana" sobre um condenado à morte. Em vez disso, descobre que o homem é inocente. Diante disso, agirá como verdadeiro repórter.

Já "Cidadão Boilesen" (2009, Curta!, 14h e 22h30) trata do industrial cujo crime, nada fictício, consistiu em colaborar ativamente com a tortura brasileira. Documentário indispensável.

A não esquecer, "De Volta para o Futuro" (1986, TC Cult, 20h10), com que Robert Zemeckis assina talvez a ficção científica mais inventiva de uma década de ficções científicas muito inventivas.

Por fim: a série "Estrelas da Tela Prateada" (1995, Curta!, 18h30) trata de Ernst Lubitsch. A série é mais ou menos. Lubitsch, imenso.




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