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Com bigodão anos 70, Lionel Richie conquista plateia em show no Caribe

Da Redação ·
Lionel Richie: clássicos (foto: Divulgação)
Lionel Richie: clássicos (foto: Divulgação)

IVAN FINOTTI, ENVIADO ESPECIAL
CURAÇAO (FOLHAPRESS) - Numa pequena ilha no alto da América do Sul, próxima ao litoral venezuelano e outrora assolada por piratas, uma festa recebe há 11 anos grandes nomes do soul, jazz, r&b e música latina. 

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Trata-se do North Sea Jazz Festival, em Curaçao, que já exibiu Prince, Earth Wind and Fire, Burt Bucharach, Rod Stewart e Smokey Robinson. 


O evento caribenho é um braço do festival de mesmo nome que acontece desde 1976 na Holanda, e Curaçao, assim, como Aruba, faz parte das Antilhas Holandesas. 

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Mas, diferentemente de Aruba, que possui hotéis com até 2.000 quartos, Curaçao ainda é uma ilha turisticamente humilde, com nativos que falam papiamento, cassinos de segunda e hotéis com no máximo 300 quartos. As belezas naturais, entretanto, não ficam atrás da vizinha rica. 


Assim, o North Sea é uma rara oportunidade de assistir a música negra de qualidade, num festival bem organizado, com um dos três palcos à beira da praia e com ótimos serviços de comida e bebida.
Não é barato, ainda mais em tempos de dólar a quase R$ 4. Os dois dias, sexta (4/9) e sábado (5), custaram neste ano US$ 195 (R$ 750), ainda que muitos dos turistas recebam os ingressos em pacotes junto com o aéreo e o terrestre. 


PRIMEIRO DIA
Lionel Richie foi a atração mais esperada da sexta, com um show de uma hora e meia repleto de hits de sua carreira solo ou de sua banda The Commodores. "Hello", "Say You, Say Me", "Easy", "Dancing on the Ceiling", "All Night Long", tudo foi cantado em coro pela plateia, metade negra e metade vermelha camarão. 

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Lionel Richie é o cara, e com seu bigodão dos anos 1970 e extrema simpatia, conquistou fácil o público. A apoteose foi no bis: "Essa canção que eu escrevi com meu amigo Michael Jackson", disparou. E cantou "We Are the World"' um dos maiores sucessos do mundo na década de 1980. 


O primeiro show do dia foi igualmente ótimo: Charles Bradley e sua revisita ao estilo James Brown encantaram o pôr do sol, com uma banda cheia de hipsters divertidos que aparentavam estar mais bêbados que qualquer um na ilha. 


Bradley, que tocou recentemente no parque Ibirapuera, em São Paulo, trouxe o soul clássico de seu disco "Victim of Love". 

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A decepção da sexta ficou com o Isley Brothers. Banda em atividade desde o fim dos anos 1950, os dois irmãos remanescentes pareciam bem deslocados. Foi o único show que atrasou (50 minutos) e não teve ritmo. Dançarinas emulavam dança do ventre e nem os sucessos salvaram. 


Um dos irmãos vestia-se como Carlos Santana, com bandana e óculos escuros, e tocou o hino norte-americano com a língua, como Jimi Hendrix em Woodstock. 


Meu colega da revista "Rolling Stone", Paulo Cavalcanti, resumiu o desgosto balançando os braços e murmurando: "Eis como destruir um grande repertório...".

O jornalista IVAN FINOTTI viajou a convite do Curaçao North Sea Jazz Festival