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Bressane lança filme com Marjorie Estiano inspirado em conto de Borges

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LUCAS NEVES
LOCARNO, SUÍÇA (FOLHAPRESS) - Autor de uma obra tida como hermética, por causa da erudição de suas matrizes literárias e filosóficas, o cineasta Julio Bressane, 69 anos, diz que os seus contemporâneos "são mais dominados pela forma do que qualquer outra coisa" e que "é muito difícil, talvez impossível, quebrar o convencionalismo".
O que não o impede de tentar fazê-lo mais uma vez, com o filme "Garoto", que será exibido nesta quarta (12) no Festival de Locarno, na Suíça.
Trata-se de uma adaptação do conto "O Assassino Desinteressado Bill Harrigan", de Jorge Luis Borges, que por sua vez relê o imaginário em torno de Billy the Kid (1859-1881), folclórico fora da lei do velho oeste americano.
Como de costume nas transposições que Bressane faz (seja das histórias de são Jerônimo ou Cleópatra, seja de contos e romances de Machado de Assis), o enredo é rarefeito, turvo. O que se vê, em princípio, parece um "garoto encontra garota" numa floresta.
Ela (Marjorie Estiano) puxa assunto, fala de sua família, solta pílulas filosóficas. Ele (Gabriel Leone) guarda silêncio.
Depois de fazer amor, o casal vai à casa de uma conhecida da jovem, onde um crime acontece. Logo os dois ressurgirão (em fuga?) na aridez de um sertão nordestino, filmado como um deserto de faroeste que o Billy original poderia habitar.
"Fiz uma divisão do personagem em dois: homem e mulher", explica o diretor. "E abordei o mito do Kid pela via arqueológica: queria trabalhar em cima de sinais não decifrados sobre a superfície terrestre. Acionei uma literatura pré-século 16, da pré-história americana, que aborda cidades petrificadas, a nascente percepção do tempo e a divinização da natureza."
O impulso que moveu "Garoto" foi o de fazer, pela via do cinema, "aquilo que antigamente o padre dizia em latim na missa: 'Sursum Corda, elevai os corações'. O panorama que tem aí é muito sem alento, é de desaparecimento de sensibilidade."
BRILHADORES
Nesse contexto, Bressane vislumbrou um porto seguro de afeto no Tela Brilhadora, projeto que idealizou de produção expressa (em uma semana) de filmes de baixo orçamento.
Dele, saíram outros três títulos além de "Garoto". Todos assinados por colaboradores de longa data do diretor e também exibidos em Locarno, como "O Espelho", de Rodrigo Lima, "Origem do Mundo", de Moa Batsow, e "O Prefeito", de Bruno Safadi.
"Já fiz com eles mais de dez longas", conta o cineasta. "A ideia era reabilitar uma figura das origens do cinema: a do produtor-realizador que, como um mecenas renascentista, tinha vontade de conhecimento, era um interlocutor fino. Mas não havia um programa comum [aos quatro]. Cada um fez o que quis, em diálogo com os outros, num sistema de 'individualismo coletivo'."
Bressane esteve pela primeira vez em Locarno em 1968, com seu longa de estreia, "Cara a Cara". "Demoliram o filme, recebi a profecia de que a minha carreira estava encerrada", comenta.
Agora, volta para presidir justamente o júri da competição de primeiras e segundas obras, em que concorre "Olmo e A Gaivota", codirigido pela brasileira Petra Costa.
Mas dar opinião sobre o trabalho alheio, pelo menos quando se trata da produção nacional contemporânea, parece incomodá-lo: "Não faço julgamento. Os filmes são feitos com tanta dificuldade que acho absurdo ter uma opinião, um julgamento severo".

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