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A educadora física Jamile Bertolin foi eleita no início de julho Miss Apucarana Plus Size 2015
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Escrito por Fernanda Neme
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“Você tem um rosto tão bonito, porque não emagrece?” A educadora física Jamile Amâncio Bertolin da Silva Mandelli, 25 anos, cansou de ouvir essa frase durante quase toda a adolescência. Ela, que foi eleita no começo de julho Miss Apucarana Plus Size, desde criança participou de concursos de beleza, porém, na infância não era “gordinha”.

A apucaranense recorda que foi na adolescência que começou a engordar e, aos 20 anos, percebeu que estava acima do peso. “Essa situação me levou a fazer academia e a seguir dietas, mas não tive resultados satisfatórios. Então, resolvi me aceitar de verdade e mostrar a todos que a beleza não está restrita ao tamanho do manequim”, avalia.

Jamile sempre contou com o incentivo de familiares e amigos que diziam para fazer curso de modelo e seguir carreira nesta área. A educadora física não se interessava pelo assunto e vivia recusando convites para catálogos e desfiles de lançamento de coleções para lojas de amigas.

Mas a opinião de Jamile mudou quando recebeu o convite de uma amiga para participar do concurso Miss Apucarana Plus Size 2015. “A princípio fiquei muito feliz com o convite, porém, ao mesmo tempo, insegura. Quando fui eleita, senti minha autoestima mais elevada e vontade de seguir carreira no mundo plus size”, explica.

Um dos prêmios que recebeu junto com a coroa é o curso de modelo e manequim, que servirá de apoio para representar Apucarana no Miss Paraná, previsto para janeiro de 2016, em Curitiba. “Estou muito feliz e realizada com o título e a oportunidade. Cada um deve ser feliz da forma que é e não se preocupar com os outros pensam e dizem”, pontua.

Assim como Jamile, a modelo Gisele Hosp, 32, de Apucarana, após lutar contra a balança, optou por seguir a carreira plus size. Com 1,73 de altura, a apucaranense teve a oportunidade de trabalhar dos 15 aos 18 anos como modelo de passarela em vários países do mundo. A rotina agitada, longe de casa e baseada numa dieta restrita foi o estopim para colocar um ponto final na carreira internacional. “Eu parei de modelar quando estava morando em Londres. A agência exigia que eu perdesse mais peso, mas já estava pensando 49 quilos. Foi o meu limite e, então, resolvi voltar para o Brasil.

De volta a Apucarana, em 2002, ela resolveu focar na vida pessoal. Casou com o empresário Mário Carlos Bovo, 36 anos. Do relacionamento nasceu Júlia, 12, Luiza, 8 anos, e Lucas, 6. Após as três gestações, o manequim já não era mais o mesmo, passou do número 36 para o 46, mas isso, nem de longe, abalou a autoestima de Gisele, que transmite a mesma imagem de mulher confiante, poderosa e sexy.  Neste período, ela trabalhou junto com o marido em uma empresa de folheados.

A convite de uma amiga, que é estilista, em 2012, a apucaranense voltou para o universo da moda, mas no segmento plus size, o que para Gisele é motivo de orgulho. “Faço todos exames de saúde necessários, tenho minha saúde em dia e me sinto muito melhor assim. Me tornei uma pessoa mais sociável e feliz comigo mesma”, garante.

Para a modelo, o trabalho plus aumentou nos últimos anos, principalmente neste primeiro semestre, por causa da visualização de modelos nas redes sociais e na TV. Além disso, Gisele acredita que um dos motivos também foi a capa de aniversário da revista Elle, de abril, que trouxe a blogueira plus size Juliana Romano. “Foi uma capa ‘bafônica’ e colaborou bastante com o segmento, que está cada vez mais amplo”, explica.

Gisele conta que hoje trabalha mais do que quando era magra e sente muito mais feliz e realizada. “Quando eu era magra ia aos lugares e não podia comer para não engordar. Me sentia um peixe fora d’água”, recorda.

Modelo plus size Gisele Hosp 

Mercado está em crescimento

De dois anos para cá, a publicitária e sócia de uma agência de modelos há cinco anos, Mayara Armanni, de Apucarana, conta que o número de modelos com manequim acima do 44 tem aumentado, da mesma forma que a procura por este perfil ganhado projeção. Ela explica que a procura se intensificou nos últimos dois anos. “O aumento é consequência da mídia, toda a divulgação feita em revistas, programas de TV e redes sociais acaba influenciando para que meninas se tornem modelos plus size”, sublinha.

Para Mayara, a autoestima da menina que está acima do peso aumenta também. “A maioria pensa que se a Flúvia Lacerda conseguiu, elas também conseguem”, afirma.

A sócia da agência Alcieli Reinauer também acredita que a procura tem aumentado cada vez mais. “Essa fatia de mercado não muito explorada antes, mas atualmente ficou mais fácil encontrar roupas com manequim entre 44 ao 62 nas lojas. Há alguns anos era preciso recorrer à costureira”, explica.

Conforme Alcieli, o aumento da obesidade no país também contribuiu com a divulgação da moda plus size. A empresária cita informações da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest) e do Instituto Brasileiro de geografia e Estatística (IBGE), que diz 52% dos brasileiros está acima do peso. “Por conta dessas informações, a mídia também está trabalhando para quebrar o paradigma que as roupas ficam boas em mulheres magras e assim derrubar a ditadura da magreza”, frisa.

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