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Violinista brasileiro da Filarmônica de Berlim se apresenta em São Paulo

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GISLAINE GUTIERRE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O violinista Luíz Fïlíp se diverte ao lembrar situações vividas quando era bolsista do Festival de Inverno de Campos do Jordão, em 2001. "Eu e um amigo acordávamos às 7h da manhã, naquele frio, para estudar até a hora do ensaio, às 10h", diz. "Eram quatro pessoas em cada quarto e alguns chuveiros não funcionavam", ri.
O paulistano de 30 anos, que saiu daquela edição com uma bolsa de estudos na Alemanha por ter vencido o Prêmio Eleazar de Carvalho, volta pela segunda vez ao evento como convidado. Mas agora, como o primeiro e único brasileiro integrante da orquestra que é referência no mundo todo: a Filarmônica de Berlim.
Luíz Fïlíp será o solista da Orquestra do Festival, formada por bolsistas, nas récitas gratuitas deste sábado (11), às 20h30, no Auditório Cláudio Santoro, em Campos do Jordão, e de domingo (12), às 11h, na Sala São Paulo. No pódio, estará a maestrina Sian Edwards, da Royal Academy.
Foi por causa do Festival de Inverno que Luíz Fïlíp começou sua trajetória na Alemanha. Depois de expirada a sua bolsa, ficou até 2005 no país bancado pela Fundação Vitae e lá teve de encarar uma concorrência muito mais pesada. "Aqui eu era o Luiz Filipe, mas lá eu era mais um", diz o músico que depois acabou mudando a grafia do seu nome para ficar mais sonoro. "Os alemães falam Filip..ê. Achei que assim ficaria melhor", diz.
UNANIMIDADE
O sonho do brasileiro era entrar na Filarmônica de Berlim, a mesma orquestra que o arrebatou em 2000, quando assistiu ao grupo no Theatro Municipal de São Paulo, regido por Claudio Abbado (1933-2014). "Fiquei arrepiado do começo ao fim", lembra. "Ali eu decidi: 'tenho de ir para Berlim'".
Em 2007 e 2008, integrou a Academia da Filarmônica de Berlim. De 2009 a 2012, trabalhou com contrato temporário para a Filarmônica. O brasileiro esperou quase dez anos para abrir um novo concurso para violino na orquestra.
Quando abriu, foram cerca de mil inscritos, mas nas etapas finais, práticas, havia cerca de dez concorrentes, que se apresentariam diante da Filarmônica inteira, já que todo músico tem direito a voto.
Na primeira etapa, Luíz Fïlíp levou a orquestra a quebrar um "protocolo" e aplaudi-lo no final da execução de uma peça de Mozart. No mesmo dia, ainda teve que tocar um concerto de Brahms. Os aplausos vieram novamente, e ele foi eleito por unanimidade.
O violinista não sabe dizer se estar na Filarmônica é o seu auge. "Só sei que lutei muito para chegar lá", diz. Filho de um fagotista, ele começou seus estudos aos quatro anos, no Instituto Fukuda. Dos 10 aos 16, teve Elisa Fukuda como professora. "Sem ela, não teria chegado onde cheguei, isso é claro. Ela é muito metódica e exigente."
Nas récitas do Festival de Inverno, Luíz Fïlíp irá tocar o "Concerto pra a Violino em Ré Menor, op. 47", do finlandês Jean Sibelius (1865-1957), obra que o brasileiro não apresenta há 11 anos.
"O Sibelius era violinista, então quis escrever um concerto para fazer os violinistas sofrerem mesmo", ri. "Ele explora o instrumento ao extremo."
A orquestra do festival também irá tocar "Quadros de uma Exposição", do russo Modest Mussorgsky (1839-1881), com orquestração do francês Maurice Ravel (1875-1937), nas duas récitas.

ORQUESTRA COM LUÍZ FÏLÍP E SIAN EDWARDS
QUANDO sáb. (11), às 20h30, em Campos do Jordão; dom. (12), às 11h, em São Paulo
ONDE Auditório Cláudio Santoro, av, dr. Luís Arroba Martins, 1.800, tel. (12) 3662-6000; Sala São Paulo, praça Júlio Prestes, 16; tel. (11) 3223-3966
QUANTO Grátis. Retirada de ingressos duas horas antes, limitado a dois por pessoa
CLASSIFICAÇÃO 7 anos

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