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Sem grandes estrelas, 13ª Flip supera ano de dificuldades com bons debates

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PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - Menos foi mais na 13ª Festa Literária Internacional de Paraty, que acabou no início da noite deste domingo (5).
Com seu menor orçamento em dez anos, de R$ 7,4 milhões, show de abertura menos estrelado, capitaneado pelo paratiense Luís Perequê, e desfalcado de última hora da maior atração, o italiano Roberto Saviano, a Flip teve uma edição bem-sucedida, com momentos memoráveis.
Autores até então pouco conhecidos no Brasil, como a poeta portuguesa Matilde Campilho e o dramaturgo britânico David Hare, saíram consagrados da Tenda dos Autores, que ficou cheia em quase todas as mesas, apesar da cidade mais vazia -era possível encontrar placas de vagas disponíveis em pousadas, algo impensável em edições anteriores.
O tradutor e editor Paulo Werneck, curador da programação literária, creditou as mesas mais concorridas a um esforço para "reunir autores que têm destaque e ajudam a levar o público para conhecer o outro autor".
De todo modo, mais ingressos foram colocados à venda -houve uma mesa a mais e, num ano de crise, diminuiu a cota para patrocinadores. Neste ano, foram 14.900 ingressos vendidos, ante 13 mil em 2014.
Parte dos momentos de destaque da festa esteve nos debates sobre Mário de Andrade, homenageado desta edição -como na mesa em que o jornalista Roberto Pompeu de Toledo e o ensaísta Carlos Augusto Calil trataram da São Paulo do modernista, ou na divertida conversa entre o pesquisador José Ramos Tinhorão e o compositor Hermínio Bello de Carvalho.
As mesas no horário das 21h30, na faixa de debates que Werneck definiu como "sexo, letras e rock'n'roll", conseguiram atrair a atenção num período em que o público geralmente está mais preocupado em garantir uma mesa nos restaurantes da cidade.
O ponto alto ficou com o escritor Reinaldo Moraes, que "psicografou" Machado de Assis numa versão de "Memórias Póstumas de Brás Cubas" lida durante debate com a professora da USP Eliane Robert Moraes.
"Chamei Virgília na chincha [...]. Aproveitei para tacar-lhe a mão em sua fornida retaguarda", começava o texto, descrevendo uma cena de sexo oral entre Brás Cubas e sua amante.
De ilustre desconhecida no Brasil, a poeta portuguesa Matilde Campilho saiu como queridinha da festa e autora mais vendida desta edição -até a noite de sábado (4), seu livro de estreia, "Jóquei", teve 336 exemplares vendidos na loja da Travessa, livraria oficial da Flip, em Paraty.
"Na poesia, eu pego este copo e posso fazer explosões atômicas dentro dele", disse ela na mesa, com seu sotaque lusocarioca -a escritora morou por três anos no Rio.
Sem peças montadas no país, o dramaturgo David Hare soube se aproximar do público com frases de efeito ("Não adianta imitar a fala natural em diálogos, isso é insuportável") ao tratar de seu trabalho.
A crise econômica que reduziu o orçamento desta Flip quase ficou de fora do debate.
O noticiário, no entanto, foi representado pela manobra do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para aprovar na Câmara a redução da maioridade penal um dia depois de ela ser rejeitada em plenário -ela foi criticada em vários debates, como num aparte do mediador João Bandeira e na conferência de encerramento por José Miguel Wisnik.
Apesar da cidade mais vazia, o arquiteto Mauro Munhoz, diretor-presidente da Casa Azul, instituição que organiza a Flip, disse acreditar que o público permaneça nos 25 mil de edições anteriores. "O que a gente viu foi que a crise não é uma coisa que impacta tanto um evento como a Flip", afirmou ele.
DESFALQUE
A Flip, no entanto, começou mal. Se em edições anteriores o show de abertura coube a Gilberto Gil, o deste ano ficou a cargo do músico local Perequê -e não empolgou. Um dos momentos mais dignos de nota foi quando um vira-lata invadiu o palco. Moradores brincavam: "Perequem? Ah, o B.O., Baixo Orçamento".
Liz Calder, idealizadora da Flip, disse na entrevista de encerramento que achou "bonito as pessoas de Paraty dando esse show tão 'adorable'."
Saviano, cuja ausência foi anunciada a dois dias do início do evento, esteve presente em dois momentos. O italiano gravou um vídeo que teve trecho exibido na mesa dos jornalistas Ioan Grillo e Diego Osorno, que o substituíram. No outro trecho, exibido na Mesa de Cabeceira, o jornalista, jurado de morte pela máfia napolitana desde o lançamento de "Gomorra" (2006), despediu-se "sonhando com o céu brasileiro".
Não foi confirmado se Paulo Werneck seguirá na curadoria da festa. Segundo Munhoz, a decisão será anunciada em outubro.

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