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Obsessão de SP por trânsito começou há cem anos, diz Roberto Pompeu

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MARCO ANTONIO ALMEIDA, ENVIADO ESPECIAL
PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - De que maneiras o presente reflete o passado?
A pergunta guiou o encontro entre o jornalista Roberto Pompeu de Toledo e a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz na Casa Folha na Flip, na noite desta sexta (3). A mediação foi de Sylvia Colombo, repórter especial da Folha de S.Paulo.
Pompeu lançou neste ano "A Capital da Vertigem - Uma História de São Paulo de 1900 a 1954". Schwarcz, com a historiadora Heloísa Starling, publicou "Brasil: Uma Biografia".
Os dois fizeram debates, separados, na tenda principal da Flip nesta sexta e acabaram revisitando os mesmos tópicos.
"Existem algumas questões que permanecem ao longo de toda a história. Uma característica muito de São Paulo é o bovarismo, a mania de não se enxergar pelas próprias lentes. Os paulistanos tinham essa mania de 'francês', de querer copiar tudo da França."
"Outra questão", explicou, "é o difícil republicanismo". "Se pensarmos a República como defesa do bem público, vemos que o próprio Partido Republicano Paulista foi uma ação entre amigos que não tinha a intenção de defender o bem comum."
Pompeu contou uma história saborosa sobre outra marca nada lisonjeira de São Paulo.
"A inauguração do Theatro Municipal, em 1911, virou também a inauguração do congestionamento de trânsito, outra obsessão de São Paulo", comentou, provocando risadas no público que lutou o espaço.
"A estreia foi com a ópera 'Hamlet', mas o congestionamento provocado pela inauguração atrasou muito o começo do espetáculo. Eram cinco atos, mas só três foram apresentados."
BIOGRAFIA
Schwarcz também comentou o título inusitado de seu livro, "Brasil: uma Biografia".
"Não queríamos tratar a história como destino, como projeto determinado. A história tem uma trajetória inesperada, contraditória. Uma biografia contempla grandes e pequenos momentos. Nossa intenção era misturar os grandes e os pequenos personagens, que fizerem a carne do nosso biografado."
O primeiro livro de Pompeu sobre São Paulo, "A Capital da Solidão", história da cidade desde a fundação até 1900, foi publicado em 2003. Desde então ele vem sendo cobrado para lançar uma continuação.
"Eu não queria retomar esse tema. Disse que iria procurar outro assunto, mas depois de tanto procurar, não achei."
Voltou às pesquisas em 2011. Decidiu parar o livro em 1954 porque já estava invadindo seu próprio tempo de vida (tem 71 anos).
"Não consigo avaliar como história um tempo em que eu vivi."
Schwarcz interrompeu seu livro no governo de Fernando Henrique Cardoso. "Como historiador você precisa avaliar processos que se encerraram. Lula, Dilma, o mensalão estão abertos ainda. Essa história ainda está se escrevendo."

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