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Filmes para durões indicados ao Oscar prevalecem na TV nesta semana

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INÁCIO ARAUJO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - SEGUNDA-FEIRA (22)
De imediato, e por razões óbvias, o protagonista de "O Candidato Honesto" (2014, TC Pipoca, 18h) é alguém de origem pobre, depois sindicalista e finalmente alguém cínico, corrupto, ladrão e cafajeste. Digamos logo, trata-se de uma caricatura do ex-presidente Lula.
Talvez não seja coincidência seu lançamento às vésperas da eleição de 2014. Visto por esse ângulo, o filme foi uma peça publicitária eficaz e um dos grandes sucessos do cinema brasileiro recente. Mas por que outro ângulo seria ele visível? Como a maior parte do nosso cinema de grande público, é nulo.
Longe dessa tristeza, a TV Brasil abre um ciclo de filmes asiáticos, com "A Esposa Solitária" (1964, às 23h), que representou a Índia em Berlim, 1965. Saiu de lá com o prêmio de melhor direção. Nada a estranhar: Satyajit Ray é um dos grandes do cinema moderno. Praticamente desconhecido no Brasil: também não é de estranhar.

TERÇA-FEIRA (23)
Desde pelo menos os anos 1980, a referência principal das imagens não é mais a realidade, mas as próprias imagens. É isso, no mais, que o público espera. É isso que funda, em boa parte, o cinema dos irmãos Ethan e Joel Coen.
Em "Onde os Fracos Não Têm Vez" (2007, TC Cult, 17h55), um homem se apossa de grande quantia em dinheiro, sem saber que pertence a mafiosos. Esses reagem e vão atrás. Nada, até aqui, destoa dos clichês mais batidos: dá-se ao público o que ele já conhece.
Mas algo precisa acontecer de diferente. E isso é a intervenção de um xerife. Sintomaticamente, o ator é Tommy Lee Jones, famoso por ser durão. É outra imagem manjada que entra na roda.
Mas o xerife logo descobrirá que a velha equação mudou: a lei é frágil, precária, diante da enormidade das atividades criminais. Ou seja: o mundo do clichê entra em campo, mas é quando se desvia que o filme ganha força e sentido.

QUARTA-FEIRA (24)
Não há tanta gente assim disposta, hoje, a desafiar a convenção do "happy end". Clint Eastwood o faz. Não sempre (se não "colasse" o final feliz em "Crime Verdadeiro", a catástrofe seria certa), claro.
Em "Menina de Ouro" (2004, TC Touch, 19h30), o final é cuidadosamente preparado. O espectador experimenta ali todo tipo de emoção humana: a tenacidade, o ceticismo, a força, a dor das relações passadas, a esperança, o apogeu - antes de chegar ao final.
Talvez seja por isso que o espectador aceita, nos filmes de Clint, um final não necessariamente feliz: é um dos raros cineastas americanos a se preocupar com o mundo que o cerca, sem curvar-se às imagens que esse mundo produz.
Aqui, temos a história de uma candidata a lutadora de boxe, em seu enfrentamento com um "manager" que não quer saber de se envolver com mulher (ou: hoje Clint é bem herdeiro de Hawks).

QUINTA-FEIRA (25)
Quase todos os filmes são fundados sobre o mostrar - sobre a imagem. "A Imagem que Falta" (2013, Max, 14h) é, como o nome bem diz, uma exceção.
O filme de Rithy Panh trata dos anos 1975 a 1979 no Camboja. Ou seja, os anos do Khmer Vermelho. Dizer que foi uma ditadura sangrenta não exprime bem o que aconteceu ali. Digamos que foi insana.
Tratava-se não de superar o capitalismo, como queria a doutrina marxista tradicional, mas de refazer o mundo omitindo o capitalismo! Exemplo: não aceitar os remédios criados pela ciência oficial, "burguesa". Produzir novos.
A repercussão de semelhantes ideias sobre as pessoas, e os milhões de mortes acarretados, são o assunto deste documentário a um tempo inovador e essencial: a ausência de imagens é que, aqui, mostra.

SEXTA-FEIRA (26)
Talvez não seja o faroeste que morreu. Talvez seja, apenas, a imaginação em crise. É quase impossível deixar de chegar a esta conclusão após ver "Django Livre" (2012, HBO 2, 14h15).
Talvez não seja bem um faroeste. Estamos no Mississipi, na era escravagista, entre caçadores de recompensa, escravos, senhores cruéis. Mas a ideia é essa mesmo: a partir de aspectos da história americana produzir uma saga de luta, bravura e tiros.
E a evocação do nome Django, clássico herói do "western spaghetti" já aponta nessa direção e traz duas decorrências imediatas ao filme de Quentin Tarantino: a completa absorção da história (acontecida) pela ficção, por um lado, e a supremacia da imagem sobre o real, por outro. Algo que veio do faroeste italiano.
De todo modo, eis um cineasta que foge enormemente à média. E que consegue chegar ao universo supostamente esgotado do faroeste pela força da imaginação.

SÁBADO (27)
Com os filmes de Spike Jonze quase sempre é assim: uma bela promessa de cara, um início forte, uma boa ideia. Os problemas começam quando se põe a questão de o que fazer com essa ideia.
"Ela" (2013, Max, 16h45) não foge muito a essa escrita. De início o que temos, num mundo do futuro próximo, é Theodore, funcionário que vive de escrever cartas para outros (estamos num mundo que perdeu o dom da escrita, talvez).
Nesse futuro, Theodore vive numa grande e inóspita cidade, onde as relações humanas parecem descartadas. A ninguém espantará que o rapaz comece a se apaixonar pela voz de seu telefone celular.
Sabemos, desde então, que o futuro não é nem próximo: é o presente mesmo. Trata-se de constatar a maneira como a vida on-line prevalece sobre a vida vivida, ou antes, como transforma-se nela. Ou seja, parte-se do início original para chegar ao nada, ao banal.

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