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    Paulistano bate recorde com diário contendo mais de 24 mil páginas

    Gercio Tanjoni entra para o RankBrasil apresentando um diário com 160 volumes e 24.107 páginas / Foto: Elizete Lee
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    Gercio Tanjoni entra para o RankBrasil apresentando um diário com 160 volumes e 24.107 páginas / Foto: Elizete Lee
    Escrito por RANKING BRASIL
    Publicado em 22.04.2015, 09:08:00 Editado em 27.04.2020, 20:00:37
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    O paulistano Gercio Tanjoni, de 61 anos, entra para o RankBrasil em 2015 pelo recorde de Maior diário pessoal digitalizado com fotos. São 160 volumes totalizando 24.107 páginas, além de um acervo de aproximadamente 10 mil fotos. 

    A escrita de forma ininterrupta, realizada até os dias atuais, teve início em 1965. Os textos do seu nascimento até 1964 foram feitos entre 1971 e 1975. Em 1994 ele começou a escrever diretamente no computador e de 1995 a 2011 digitalizou todos os manuscritos dos anos anteriores. Guardados cuidadosamente em estantes, os cadernos não relatam apenas a vida do recordista, mas das pessoas ao seu redor, da sua cidade, da sociedade, dos fatos cotidianos, de épocas e gerações.

    “A intenção é deixar registrado para a posteridade o tempo em que vivi, dentro da minha ótica pessoal”. Além de textos e fotos Gercio possui 470 DVDs, os quais complementam os volumes impressos. Segundo ele, são gravações sem roteiro do dia a dia feitas desde 1989. O paulistano ainda tem DVDs históricos compostos por 30 capítulos, chamados Fragmentos. Totalmente baseados nas informações escritas, apresentam sequência previamente estabelecida, trilha sonora e narração. De acordo com o recordista, o diário evidencia as mudanças ocorridas ao longo dos anos.

    “Mostram, por exemplo, como era antes do mundo digital: as reuniões de famílias, as visitas dos amigos, a espera por um encontro e as cartas enviadas pelos Correios”, comenta. Apesar de muitos imaginarem ser apenas um hobby, Gercio afirma se tratar de um importante trabalho feito com disciplina. “Cada ser humano deve deixar sua marca na existência. Esta é minha missão artística: uma obra que mostra meus sentimentos, minhas impressões, minhas sensações e muitas reflexões”.   Para o paulistano, o recorde junto ao RankBrasil é o reconhecimento público de uma atividade diferenciada e muito difícil: “Muitas pessoas, até mesmo da minha família, não conseguem perceber o valor.

    O título é justamente a valorização do que faço a vida inteira”, destaca. Autoconhecimento e autenticidadeGercio acredita que o diário ensina a ver mundo com mais transcendência e amplitude. “Os fatos do cotidiano, vistos num contexto imediatista são bem diferentes de quando os enxergamos num contexto geral, quando se apresentam com outras variáveis, mais amplas, e isso pode ajudar em nossa evolução”, diz.

    Conforme o recordista, “os textos permitem uma autoanálise sincera, sem máscaras ou hipocrisias, um autoconhecimento levando a soluções mais simples em relação às questões da vida”. Ele ainda comenta sobre a exigência de uma autenticidade na escrita, que pode custar caro. “É preciso coragem para ser autêntico e não mudar a realidade dos fatos”. MotivaçãoDesde criança, Gercio gostava de artes e viu no diário uma forma de desenvolver uma literatura, mesmo rudimentar, além de deixar seu legado a gerações futuras. Quando trabalhava de administrador de empresa escrevia pela manhã, antes do expediente, e na hora do almoço. “Era preciso vencer a preguiça e o cansaço”, lembra. Atualmente aposentado, pode se dedicar mais tempo à atividade.

    A partir da sua obra, o paulistano se envolveu com outras expressões artísticas, entre pintura a óleo, fotografia e filmes, e hoje atua como produtor cultural na cidade de São Paulo (SP).   Em relação ao futuro do diário, está programado o lançamento de um primeiro livro sobre os anos 60 e 70. Outros livros poderão ser publicados. O diário será escrito até quando ele puder. Depois disso, caso seja necessário, a esposa e o filho completarão as últimas páginas. “A obra original deverá ser doada a uma entidade pública ou privada que se interesse em conservá-la, para estudo de épocas, na ótica de uma pessoa comum e não na visão da mídia”, finaliza.

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