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Dom La Nena roda o mundo com disco produzido por Marcelo Camelo

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ADRIANA FERREIRA SILVA
PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - Conhece Dom La Nena? A violoncelista e cantora (nessa ordem) de 25 anos lançou em março seu segundo disco, "Soyo". Com produção de Marcelo Camelo, o álbum sai, ao mesmo tempo, no Brasil, nos Estados Unidos e no Canadá. Chega em maio na Europa.
Antes de ir às lojas, o jornal norte-americano "The Wall Street Journal" apresentou com exclusividade o vídeo da música "Llegaré". O trabalho de promoção inclui ainda uma turnê com mais de trinta performances em sete países, incluindo o Brasil, onde ela faz shows em maio e junho.
Esses palcos, no entanto, não são novidade para a moça, que acompanhou por dois anos a cantora e atriz inglesa Jane Birkin na tour de "Enfants d'Hiver" (2008). Nos intervalos, Dom tocou ainda com outra musa do cinema, a francesa Jeanne Moreau, num projeto em parceria com o roqueiro Étienne Daho.
Mesmo com a intensa rotina, ela gravou o primeiro disco, "Ela" (2013), e viajou pela França interpretando músicas antigas ao lado da cantora Rosemary Standley, da banda Moriarty. A dupla fez um registro em CD da colaboração, que vendeu mais de 20 mil cópias.
Mas, afinal, quem é essa garota? Dom La Nena é Dominique Pinto, gaúcha cujo destino foi determinado pela paixão pelo violoncelo. Ela começou a dedilhar o instrumento aos oito anos, época em que seus pais decidiram passar um período em Paris. "No conservatório francês, me apaixonei pela música clássica e virei uma 'geek'. Não tinha plano B: seria cellista e pronto", conta.
Dom tinha 12 anos quando seus pais lhe avisaram que havia chegado o momento de voltar ao Brasil. "Entrei em depressão. Queria terminar o conservatório e sabia que, em Porto Alegre, não existia um lugar no qual isso era levado tão a sério quanto em Paris", acredita.
Em meio ao "drama", diz ela, lembrou-se que a violoncelista norte-americana Christine Walevska costumava passar temporadas na Argentina. Descobriu seu telefone nas "páginas amarelas" e fez um apelo. Surpresa com o pedido, a musicista a apresentou a um professor de cello em Buenos Aires.
Assim, aos 13, Dom foi morar sozinha na capital argentina. "Desde cedo, meus pais perceberam minha vocação. Eu era um desastre no colégio, mas uma cabeçuda quando o assunto era tocar cello", explica. A temporada portenha, que durou até ela completar 18 anos, inspirou o sobrenome artístico, La Nena, menina, em espanhol.
Maior de idade, Dom voltou para Paris, retomou o conservatório e encarou nova crise. "Me desiludi com a música erudita. Não me via numa orquestra e tampouco como professora. Havia muita competição e eu não queria ser uma solista, mas não sabia como fazer música pop com o cello", revela.
A salvação, desta vez, veio por meio de um convite da produtora musical Édith Fambuena. "Ela me chamou para um teste. Jane Birkin precisava de uma violoncelista para o disco novo e a turnê. E eu passei", fala Dom. "Fizemos uns 200 shows em dois anos e aprendi muito com ela. Apesar de ser espontânea no palco, de se jogar, tudo o que Jane faz é calculado e previsto."
A experiência levou Dom ao mundo descolado da música francesa, onde encontrou sua turma e começou a criar, em colaboração com artistas como a cantora pop Camille, que lhe deu aulas de canto, e o músico inglês Piers Faccini, produtor de "Ela".
O álbum foi bem recebido pela imprensa. A tradicional revista semanal "Les Inrockuptibles", por exemplo, dedicou uma página à brasileira, descrevendo seu disco como "encantador".
Da estreia para "Soyo" -palavra inventada a partir de "soy yo"-, é nítida a evolução musical de Dom, em faixas em que ela se reveza cantando em espanhol, francês, inglês e português. Cada língua se destina a uma emoção: "Acho que o nomadismo [tema recorrente] cai melhor em espanhol com sotaque argentino. O português é mais romântico".
Seu estilo, voz baixinha, pegada folk, a aproximou de Marcelo Camelo. "As composições do Marcelo têm uma certa melancolia, mas, ao mesmo tempo, são alegres. Ele faz arranjos solares, e queria isso para o meu disco."
Os dois dividem a produção. "Dom sabia onde queria chegar e fez boa parte das gravações sozinha. Foi ela quem conduziu o trabalho, do início ao fim, papel que é do produtor", afirma Camelo. "Ela tem assinatura, consegue transmitir o que sente e o que pensa com um critério estético. Tem personalidade artística."
Em outras palavras, a menina-prodígio nasceu mesmo com um dom.

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