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Michael Jackson provocou separação dos Guns N' Roses

Da Redação ·
Banda esteve presente no Rock and Roll Hall of Fame sem Axl Rose. Fotografia © REUTERS/Matt Sullivan
Banda esteve presente no Rock and Roll Hall of Fame sem Axl Rose. Fotografia © REUTERS/Matt Sullivan

Passaram quase 20 anos desde que Slash abandonou os Guns N' Roses precipitando a separação de uma das bandas de maior sucesso dos anos 90. Apenas Axl Rose se mantém do alinhamento inicial dos Guns N' Roses - longe do sucesso alcançado no final do século XX -, mas o homem que foi acusado por Slash por ter provocado a discórdia entre os membros da banda, diz agora que não só pode ser ele a concretizar a tão desejada reunião de Slash com Axl, como o culpado da separação foi Michael Jackson.

Doug Goldstein, antigo empresário dos Guns N' Roses, fez a revelação à edição brasileira da revista Rolling Stone. Contou que tudo começou em 1991, quando Slash o avisou que ia participar num concerto tributo de Michael Jackson. Esta decisão terá deixado "arrasado" Axl Rose. O empresário explicou que o vocalista foi abusado sexualmente pelo pai quando tinha dois anos e acreditava nas alegações que na altura envolviam Michael Jackson em casos de abuso de menores (o "Rei da Pop" morreu em 2009).

O empresário disse que pediu ao guitarrista para não participar no concerto. "Todos sabiam que o Eddie Van Halen recebeu um milhão de dólares [cerca de 917 milhões de euros] pela participação em 'Beat It'. Perguntei ao Slash, 'quanto é que vais receber, posso negociar contigo?' E ele respondeu 'eu só vou receber uma televisão com ecrã gigante'", revelou Doug Goldstein. Acrescentou que Axl Rose esperava que Slash o apoiasse. "Do ponto de visto do Axl, esse era o único problema. Ele poderia ignorar as drogas e o álcool, mas nunca poderia ignorar o abuso infantil", salientou. Slash não recuou na sua decisão e a sua participação em 'Black or White' até foi muito falada porque Michael Jackson não gostou do guitarrista ter prolongado o seu solo (tudo encenado, claro).

No ano em questão, 1991, os Guns N' Roses editaram o duplo álbum 'Use Your Illusion', que os imortalizou, depois de 'Appetite For Destruction' (1987) ter transformado a banda de rock numa das mais populares a nível mundial. A saída de Slash aconteceu em 1996, três anos depois 'The Spaghetti Incident?', um álbum que na altura desiludiu muitos dos fãs.

Num livro publicado em 2007, o guitarrista - que seguiu a sua carreira longe dos Guns N' Roses - acusou Goldstein de ser "como um predador numa emboscada", acusando-o de ser o "catalisador" da separação da banda, ainda que ressalvando que os principais culpados eram os próprios Guns N' Roses. "As suas técnicas para dividir e conquistar foram um instrumento para o nosso fim", escreveu, destacando que Goldstein era permissivo com Axl Rose. O empresário desmentiu à Rolling Stone as acusações de Slash e referiu que gostaria de se encontrar com o guitarrista e contar a sua versão da história. E vai mais longe: acredita que poderá ser o mentor da tão desejada reunião dos membros originais da banda. "Não acho que mais alguém possa fazer isso." Para Goldstein, um pedido de desculpa de Slash a Axl sobre a sua participação no concerto de Michael Jackson resolveria a questão. Mas talvez não seja assim tão simples, pois numa entrevista em 2011 ao Los Angeles Daily, Slash confessou que consideraria um regresso aos Guns N' Roses... se Axl Rose pedisse desculpa. Meses depois, Axl Rose até admitiu a possibilidade de se juntar aos antigo companheiros, mas temia que tal serviria apenas para os empresários aproveitarem para ganhar dinheiro.

No ano seguinte, muito se falou que seria o da reunião da banda devido à entrada no Rock and Roll Hall of Fame. Porém, Axl surpreendeu ao escrever uma carta anunciando que não estaria presente. "Sem querer ofender ninguém, não me parece que, nesta cerimónia, eu seja uma pessoa desejada ou respeitada (...) Não vou à cerimónia de entrada no Rock and Roll Hall of Fame de 2012 e, com todo o respeito, declino a minha nomeação enquanto membro dos Guns N' Roses. (...) Há um revisionismo e fantasias sem fim, destinados a fins de autopromoção e oportunidades de negócio, que mascaram a realidade. Não há espaço para uma conversa, muito menos para uma reunião", escreveu. Ver Slash e Axl Rose novamente juntos em palco parece continuar a ser uma miragem.

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Fonte: www.dn.pt