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Exposição no MoMa em Nova York revê arquitetura latino-americana

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RAUL JUSTE LORES, ENVIADO ESPECIAL
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - "As cidades latino-americanas são perigosas, com arames farpados, muros altos, favelas e espaços públicos privatizados, segundo o clichê que temos da região", confessa o diretor do Departamento de Arquitetura do MoMa, Barry Bergdoll.
"Mas aqui vemos uma arquitetura que expressa otimismo, onde há uma relação porosa entre o público e o privado."
Crença no futuro e boas soluções urbanas não faltam à exposição "Latin America in Construction: Architecture 1955-1980" (em tradução livre, América Latina em construção: arquitetura de 1955-1980), que será aberta neste domingo (29) no Museu de Arte Moderna de Nova York e que fica em cartaz até julho.
Ela ocupa o salão mais nobre do MoMa, no sexto andar, matando de inveja a espremida mostra dedicada à estrela pop Björk alguns andares abaixo.
Também rememora como, naqueles anos de líderes populistas, golpes de Estado e economia exclusivamente dependente de matérias-primas, a região produzia uma das mais inventivas arquiteturas do século passado.
Em 1955, o MoMa fez sua primeira grande retrospectiva da arquitetura latino-americana, focando a década entre 1945 e 1955. Desta vez, o "dream team" regional está contemplado em vídeos, maquetes e desenhos, que vão da construção de Brasília, de Oscar Niemeyer e Lucio Costa, e do Sesc Pompeia, de Lina Bo Bardi, a obras-primas da vizinhança, como o Museu de Antropologia da Cidade do México, de Pedro Ramírez Vázquez, a Universidade Central da Venezuela, de Carlos Raúl Villanueva, e o Banco de Londres, em Buenos Aires, de Clorindo Testa.
Muitas das fotos contemporâneas da exposição foram encomendadas ao fotógrafo brasileiro Leonardo Finotti, além de maquetes feitas especialmente no Chile.
UTOPIAS
A primeira sala traz sete telões com cenas do crescimento de sete grandes cidades da região a partir dos anos 20 (Buenos Aires, Montevidéu, São Paulo, Rio, Caracas, Havana e Cidade do México). A edição inspirada das imagens alterna os primeiros arranha-céus, congestionamentos, favelas, políticos cortando fitas de inauguração de obras e até dirigíveis sobrevoando cada uma das cidades.
Nas salas seguintes, projetos de habitação popular, cidades universitárias e utopias variadas são apresentados -a construção de Brasília merece uma sala inteira.
A curadoria claramente defende Brasília das críticas duras ao seu desenho.
"Ouvimos tanto que Brasília representa a desumanização do urbanismo moderno que é uma aberração", conta Bergdoll, que também é um dos curadores. "Mas, ao chegar lá, vi que as superquadras trazem algo do que é mais sutil na mistura de habitação, paisagismo e espaço público."
Ele conta que, "com três diplomas em Artes em universidades americanas, nunca aprendi sobre arquitetura latino-americana na academia". Para o curador, a mostra precisa "corrigir" isso e dar o devido lugar à arquitetura latino-americana. Por ora, no topo do MoMa.

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