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"Não fazemos um bom trabalho sozinhos", diz Adriana Esteves

Da Redação ·
"Não fazemos um bom trabalho sozinhos", diz Adriana Esteves
"Não fazemos um bom trabalho sozinhos", diz Adriana Esteves

Adriana Esteves passou dois anos fora do ar para descansar a imagem, marcada por sua elogiada interpretação de Carminha, a vilã de Avenida Brasil (2012). A atriz voltou à tevê em janeiro, na minissérie Felizes Para Sempre? e, agora, retoma o posto de antagonista no horário nobre da Globo em Babilônia. Sua personagem, Inês, é apresentada como uma mulher de 35 anos, que sofreu bullying na adolescência porque era gordinha e sempre quis ser como sua melhor amiga, Beatriz (Glória Pires): bonita, a garota mais paquerada da praia e, ainda por cima, rica.

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As duas se afastaram e a advogada (Inês) desenvolveu uma obsessão pela arquiteta (Beatriz), que foi morar fora do país e nunca mais lhe deu atenção. Inês se casou com o engenheiro Homero (Tuca Andrada), teve Alice (Sophie Charlotte) e foi morar em um apartamento pequeno no bairro do Leme (zona sul do Rio de Janeiro).

Parou de trabalhar para criar a filha e passou a viver insatisfeita com sua vida. Inês se tornou uma mãe negligente e sua relação com o marido foi ficando péssima com o passar do tempo. "Todo mundo faz isso, por que logo você tem que ser honesto?", questionará ela em uma das primeiras cenas da trama, que mostra os personagens inicialmente em 2005, ou seja, há dez anos. Homero se recusa terminantemente a participar de falcatruas. Mas é justamente por causa de uma ação escusa dela que ele será promovido e a família irá morar em Dubai (Emirados Árabes). Ele morre, a filha não a respeita e ela volta para o Brasil na pior, na segunda fase do folhetim, já em 2015. O que move Inês é a inveja, a cobiça e a ambição. Como você trabalha isso internamente para tirar a expressão da maldade e do ressentimento que vemos em suas cenas?

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Uma pessoa ressentida e sofrida pode fazer maldades. Todo mundo pode, aliás. Adoro isso porque é um assunto bom e todo mundo fala a respeito. O que eu faço é ler o texto e tentar entender o que precisa ser passado com ele. Uso os meus colegas e todos os profissionais envolvidos para que seja um acréscimo no meu trabalho. Ouço opiniões, questiono... Não fazemos um bom trabalho sozinhos. Essa troca nos bastidores me acalma porque, na hora do desespero, somos um time, ou seja, um grupo unido pelo mesmo objetivo. Isso facilita. Uma das primeiras cenas de Inês é dela chantageando Beatriz, que com sua pose de mulher rica, desdenha a capacidade da amiga (e rival) de matá-la. Ela é humilhada. Como foi gravar esse embate?É muita humilhação, mesmo!

Eu fico feliz de ver na tela que o que foi escrito pelos autores foi interpretado por mim com veracidade. Essa pessoa invejosa sendo humilhada é sensacional. Para mim, é um orgulho enorme trabalhar com a Glória Pires.

Eu me preparo muito sempre, mas não demorou para gravar essa sequência porque nós estamos nas mãos de mestres. O Dennis Carvalho é "the flash" e sabe direcionar muito bem os atores. Sua personagem é obcecada por Beatriz. Você já se deparou com alguém assim? Ou já teve algum admirador fanático, que a assustasse?Os fãs que eu já tive a oportunidade de conhecer sempre acrescentaram, mas tenho uma história meio esquisita para contar. Eu fazia um espetáculo há muitos anos e todos os dias se sentava na plateia um homem com um buquê de rosas. Só que ele nunca entregava as rosas e nunca pediu para ninguém me entregar. Naquela época, nós (eu e a produção da montagem) começamos a ficar bastante preocupados. Uma pessoa da equipe começou a pesquisar para saber o que estava acontecendo. Poderia ser apenas um gesto de amor e de carinho, que por timidez ele não conseguisse entregar as flores, mas poderia também ser algum fanático. A produção o chamou para conversar, mas eu não fiquei sabendo o que aconteceu e o que ele disse. Esse homem deve ter se sentido intimidado e não voltou mais. Era esquisitíssimo todos os dias aquela mesma pessoa sentada no mesmo lugar com as flores na mão. Eu sentia uma sensação estranha, um desconforto no palco. E no trabalho você já se sentiu invejada?Inveja existe em todos nós, não só a gente sente como já sentiram da gente porque é absolutamente algo normal do ser humano. O bebê tem inveja do peito da mãe porque ele queria para ele, mas é só um bebê. É inconsciente! Esse assunto quase não é falado, mas é absolutamente normal.

O fato de você ser atriz, uma mulher famosa, que estampa capas da revista, gera mais inveja?Não sei responder. Acho que, às vezes, pode gerar muita admiração também a minha profissão. Só que qualquer pessoa pode ter outras pessoas a invejando profundamente por motivos diferentes, como simplesmente pelo cabelo lindo que ela usa, ou pela maquiagem deslumbrante que ela fez em determinada ocasião. Você assiste a reprises de suas primeiras novelas, como Pedra Sobre Pedra (1992), novela que está sendo exibida no canal Viva?Vi um dia e adorei. Morri de orgulho do passado. Trajetória boa. A lembrança que eu tenho é que ficava tão nervosa quanto fico hoje em dia quando vou estrear uma novela. Não mudou nada de lá para cá, estou apavorada com o lançamento de Babilônia. Estrear sempre dá um frio na barriga. Nestes dois anos que você ficou fora da TV, fez outros trabalhos?Aproveitei para fazer a minissérie Felizes Para Sempre?, que foi ao ar em janeiro na Globo, e rodei também dois longas-metragens, que são Mundo Cão, do Marcos Jorge, e Beleza, do Jorge Furtado.