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Apucarana: na regência da evangelização

Da Redação ·
Irmã custódia com os integrantes do Coral Palestrina (Delair Garcia)
Irmã custódia com os integrantes do Coral Palestrina (Delair Garcia)

Cidadã honorária de Apucarana desde 2007, Custódia Maria Cardoso, irmã da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, por 25 anos cumpriu sua missão religiosa na Catedral Nossa Senhora de Lourdes e deixou um legado promissor. Formada em Música pela Universidade do Sagrado Coração (USC), de Bauru, interior paulista, ela fundou os corais Pequenos Cantores e Palestrina de Apucarana, na década de 1970, que se tornaram conhecidos em todo Brasil e continuam ativos até os dias de hoje. 

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O Coral Palestrina, por exemplo, está finalizando o 43º CD “Com Maria, Vocacionados para a Alegria do Evangelho”. Os Pequenos Cantores, atualmente com cerca de 30 crianças, também continuam com a rotina de ensaios e apresentações, claro que num ritmo bem mais tranquilo que antes. A previsão é que neste ano gravem o 33º trabalho, sob a regência da maestrina. “As crianças têm uma leveza especial no jeito de cantar e o coral, formado por elas, era mais um meio de interagir e tornar as famílias mais próximas”, avalia.

Aos 53 anos de vida missionária, a freira catarinense atualmente dá continuidade à sua trajetória de fé em Aparecida. Vaidosa, ela dispensa o hábito e não abre mão de uma boa dose de maquiagem, ao mesmo tempo que esbanja vitalidade e disposição em cumprir sua vocação: evangelizar através da música. “A música faz parte de todos os momentos da vida de uma pessoa e também de uma Igreja feliz”, argumenta.

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Para a religiosa, o importante é saber inserir a música de acordo com os momentos da celebração, que vão da reflexão interior à exaltação, com o Glória. “A música é, didaticamente, o primeiro elemento para levar uma pessoa a optar por Jesus Cristo. O mélos, da melodia, atinge a emoção e, quando um fato atinge a sua emoção, leva à decisão”, explica.

Irmã Custódia comenta que ao colocar junto com o mélos uma proposta, a mensagem ganha força junto com a emoção, levando a pessoa a fazer uma opção. “No nosso caso, a opção colocada é Jesus Cristo”, frisa observando que a música já foi questionada pela Igreja durante o século VIX, período do Concílio de Trento. “Acreditavam que a música estaria dispersando os fiéis, mas Palestrina compôs uma missa especial em homenagem ao papa Marcelo II, que é uma das obras mais famosas da música sacra, e provou que a música não afasta, não dispersa, mas, ao contrário, acolhe e concentra”, defende.

Sobre o crescente surgimento de padres cantores, a freira avalia que eles estão corretos em difundir a música religiosa, que atende a todos os credos. “Eu sou a favor plenamente deles em divulgar músicas que elevam as pessoas e expressam o bem”, diz.

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Abertura litúrgica - Outro momento citado pela freira é o Concílio Vaticano II, que propôs, entre outras coisas, a abertura litúrgica. “O pedido era para fazer cantos mais acessíveis e de acordo com a cultura do povo. Os corais de Apucarana foram constituídos dentro dessa proposta”, ressalta. 

Uma das marcas registradas dos Pequenos Cantores de Apucarana, que gravou o primeiro LP em 1979, é a expressão corporal sincronizada. “Também inovei com o uso das batas”, lembra.

Em Apucarana, irmã Custódia destacou-se ainda pelo seu trabalho de liturgia pelo rádio e pela TV Tibagi, com “O 11 Vai à Missa” e “Palavras Amigas”.

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A vocação - Nascida em uma família religiosa e com afinidade com a música, irmã Custódia sentiu o chamado religioso ainda na infância. “Não tínhamos tradição religiosa, mas sim convicção religiosa. Meu pai (Zeferino Cardoso - falecido) falava muito da bíblia, mas não lia com alienação. Ele conversava com a família, colocava a importância de vivenciar a bíblia. E eu herdei da família não só o conhecimento bíblico, mas o amor ao próximo também”, afirma. 

Ela recorda que aos nove anos, após comer muita melancia, foi parar Hospital da Divina Providência e ficou encantada com o trabalho das religiosas. “Desde aquela época, eu tinha uma imensa vontade de servir a Deus, para ajudar ao próximo”, diz. Dos 14 irmãos, apenas ela seguiu a vida eclesiástica.

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No início, ela tinha vontade de fazer trabalho missionário nas aldeias indígenas, mas por influência da mãe Maria Virgínia Gomes Cardoso, já falecida, que era professora, sugeriu que se tornasse uma religiosa culta. E o desejo foi atendido pela filha. 

Aos 14 anos, a mãe a apresentou as freiras da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, em Florianópolis. E foi lá, com a irmã Iria Berre, que começou a se aproximar mais da música. Ao chegar em Ourinhos, interior de São Paulo, na casa geral da congregação, deu continuidade aos estudos religiosos, além de cantar nas missas. Neste período, ela também começou a se destacar nos programas de rádio.

O convite à música - “Após concluir a profissão religiosa em 1962, aos 21 anos, veio o convite da Universidade de Bauru para estudar Música”, recorda. Depois de concluir o curso, a religiosa voltou para Ourinhos, onde fundou o Coral Dom Henrique e o Coral Excelsior.

E foi em Ourinhos que dom Romeu Alberti, primeiro bispo de Apucarana, conheceu irmã Custódia e seu trabalho com a música. Em 1970, ele a convidou junto com outras duas freiras para dar continuidade a missão de evangelizar em Apucarana. “Dom Romeu queria fazer uma Igreja que atendesse as propostas do Concílio do Vaticano II, que era uma Igreja feliz e alegre”, diz. 

Além do trabalho com os corais, irmã Custódia lecionou música no Colégio Estadual Nilo Cairo, no Conservatório Sônia Pagani e fundou o Clube do Menor, que inseria o jovem ao mercado de trabalho, que depois se transformou na Guarda Mirim. 

A religiosa deixou Apucarana em 1995, após ser chamada por dom Pedro Fedalto, na época arcebispo de Curitiba, para trabalhar na capital. Depois seguiu para o Santuário Santa Paulina, em Nova Trento (SC), e atualmente está em Aparecida, onde apresenta o programa na TV “Uma luz no Olhar”.