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Leia tradução da carta de suicídio de Kurt Cobain que virou estampa de camiseta 

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Kurt Cobain em foto polêmica que serviu de encarte para um de seus disco (Foto: Reprodução)
Kurt Cobain em foto polêmica que serviu de encarte para um de seus disco (Foto: Reprodução)

Antes de cometer suicídio em 1994 Kurt Cobain, vocalista e guitarrista da banda Nirvana, deixou uma carta de despedida. No texto, ele narra sua solidão e problemas de relacionamento possivelmente causados por excesso de drogas e álcool. A tal carta veio à tona logo após sua morte e chegou a ser lida em um programa de TV pela viúva do músico, Courtney Love. Agora, fãs de todo o mundo podem usar as últimas palavras de Kurt próximo ao peito, 'vestir a camisa' e partilhar da dor do roqueiro. É que o site de vendas eBay está vendendo por U$ 25 (cerca de R$ 64) uma camiseta com a íntegra da carta de Cobain, com direito a grafia original, com a letra do cantor. Em pouco mais de uma semana 200 mil unidades já foram vendidas, o que obrigou o site  a providenciar uma nova remessa do produto. Procurada por um jornal americano, a viúva Courtney Love, detentora dos direitos de imagem de Kurt, preferiu não se pronunciar sobre o produto.

A vida do cantor já foi retratada de várias maneiras e diversas vezes após a sua morte, seja no cinema, em livros ou em documentários televisivos. A primeira delas foi em 1998, com o documentário 'Kurt & Courtney'. Já em 2005 foi produzido o longa-metragem 'Últimos Dias', filme que narra de forma fictícia os últimos dias de vida de Kurt. No ano seguinte, detalhe, a revista Forbes listou as treze celebridades mortas que mais lucraram nos últimos doze meses do ano de 2006. O cantor ficou em primeiro lugar da lista, 12 anos depois da sua morte, com ganhos estimados em U$ 50 milhões.

Veja abaixo, em tradução livre, a íntegra da carta de despedida de Kurt Cobain


Falo como um simplório homem com experiência que obviamente preferia ser uma criança castrada e reclamona. Este bilhete deve ser bastante fácil de entender. Todas as advertências das aulas de Introdução ao Punk Rock ao longo dos anos, desde minha apresentação à, digamos, ética envolvida na independência e o acolhimento de sua comunidade, se provaram verdadeiras. Eu não tenho sentido a excitação de ouvir, bem como criar música, juntamente com a leitura e a escrita, faz muitos anos. Eu me sinto culpado por essas coisas além do que posso expressar em palavras Por exemplo, quando estamos atrás do palco e as luzes se apagam, e o ruído ensandecido da multidão começa, isso não me afeta do jeito que afetava Freddie Mercury, que parecia amar, se deliciar com o amor e adoração da multidão, que é algo que eu admiro e invejo totalmente. A verdade é que não consigo enganar vocês, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo nem com vocês nem comigo. O pior crime que posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo como se eu estivesse me divertindo 100%. Às vezes eu sinto como se eu tivesse que bater o cartão de ponto antes de subir ao palco. Eu tentei tudo ao meu alcance para gostar disso (e eu tento, por Deus, acreditem em mim, eu tento, mas não é o suficiente). Eu gosto do fato que eu e nós atingimos e dirvertimos um monte de gente. Devo ser um daqueles narcisistas que só dão valor as coisas quando elas se vão. Sou muito sensível. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança. Nas nossas últimas três turnês, eu tive um apreço muito maior por todas as pessoas que conheci pessoalmente e pelos fãs de nossa música, mas eu ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que eu tenho por todos. Existem coisas boas dentro de todos nós. Eu acho que simplesmente amo demais as pessoas e isso me deixa muito triste. O pequeno, sensível, insatisfeito, pisciano, Jesus triste. “E por que você simplesmente não aproveita?” Eu não sei. Eu tenho uma deusa como esposa que transpira ambição e empatia e uma filha que me lembra demais como eu costumava ser, cheia de amor e alegria, beijando cada pessoas que ela encontra porque todos são bons e ninguém a fará mal nenhum. E isso me apavora ao ponto de eu mal conseguir funcionar. Eu não posso suportar a idéia de Frances se tornar um triste, autodestrutivo, e mortal roqueiro, como eu virei. Eu tive muito, muito mesmo, e eu sou grato por isso, mas desde os sete anos, passei a ter ódio de todos os humanos em geral. Apenas porque parece tão fácil para as pessoas que tem empatia se darem bem. Apenas porque eu amo e lamento demais pelas pessoas, eu acho. Obrigado do fundo do meu ardente e nauseado estômago por suas cartas e preocupação nestes últimos anos. Eu sou um bebê errático e triste! Eu não tenho mais a paixão, e por isso lembre-se, é melhor queimar de vez do que se apagar aos poucos. Paz, amor, empatia. Kurt Cobain

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Edhucca

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