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Itália exibe os restos mortais de Caravaggio

Da Redação ·
 Reprodução de obra Prisão de Cristo, ou o Beijo de Judas do pintor Caravaggio, que foi furtada e em seguida recuperada na Ucrânia em junho
fonte: Foto por Divulgação/28.06.2010/AFP
Reprodução de obra Prisão de Cristo, ou o Beijo de Judas do pintor Caravaggio, que foi furtada e em seguida recuperada na Ucrânia em junho

Exatos 400 anos depois de morrer, o pintor italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610) ganha na Toscana uma exposição tão realista quanto a própria obra: a de seus restos mortais, ao alcance dos olhos curiosos do público pela primeira vez desde que foi realizada neste ano a identificação por DNA e carbono 14.

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Os ossos, que estão em uma urna de cristal, chegaram neste sábado (3) em um veleiro ao pequeno porto de Toscana, onde aparentemente Caravaggio morreu de malária. A exposição começou neste domingo (4).

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Muito mistério marca a vida e a morte deste que é um dos mais estudados artistas do mundo. O pintor teve que fugir de Roma por ter matado uma pessoa durante uma briga e teve o nome sempre envolto em polêmica graças às pinturas religiosas cheias de incorreções e reinterpretações.

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As autoridades locais organizaram uma cerimônia para dar um fim digno ao pintor, cujo realismo revolucionou a história da arte. Silvano Vinceti, presidente do Comitê Nacional para a Valorização dos Bens Históricos, Culturais e Ambientais, entidade sem fim lucrativo que também esteve à frente do trâmite, comentou os trabalhos.

- Estou feliz pela volta dele (Caravaggio) e por dar o tratamento que merecia.

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A urna com os ossos ficará à mostra este mês no espanhol Forte Stella, ao lado de uma exibição de fotos sobre as fases da pesquisa que levou aos ossos do pintor barroco, grande mestre do uso do claro-escuro.

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Depois de mais de um ano de testes em ossos achados em uma igreja de Porto Ercole, os cientistas chegaram à conclusão em junho de que são de Caravaggio com uma probabilidade de 85% de acerto.

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Para explicar a morte do pintor, em 18 de julho de 1610, quatro universidades se juntaram em um projeto que envolveu biólogos, historiadores e antropólogos.

Os cientistas examinaram os restos de cerca de 200 pessoas. No fim, o material de número 5 foi o atribuído ao pintor, já que pertence a um homem que morreu na faixa dos 40 anos por volta de 1610, o que bate de fato com os registros sobre o artista.

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Já se sabia que Caravaggio sofria de saturnismo, intoxicação por chumbo, e os testes encontraram grande presença do elemento.

Famoso pelo realismo em quadros como Baco, Os Discípulos de Emaús e O Sacrifício de Isaac, Caravaggio é descrito no teatro, cinema e literatura como um dos homens mais atormentados da história.

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