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Fernanda Torres comemora 35 anos de carreira

Da Redação ·
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fonte: Foto: Divulgação
Fernanda Torres comemora 35 anos de carreira

SÃO PAULO, SP - Aos 13 anos, Fernanda Torres estreava na TV, na série "Aplauso" (Globo, 1979), com o peso de ser filha de dois grandes nomes do teatro brasileiro: Fernanda Montenegro e Fernando Torres (1927-2008). Hoje, aos 48 anos e após cravar seu espaço no meio artístico, ela encara com leveza o início da carreira. "Eu era uma bochecha ambulante [risos]. Lembro que foi uma experiência incrível contracenar com a Dina Sfat [1938-1989]", diz.

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Estudante da companhia de teatro O Tablado, Fernanda conta que não só cresceu nos bastidores dos ensaios dos pais, como também se dedicou ao movimento teatral da época. "Meus pais foram fundamentais, eu os seguia nas coxias, mas minha geração fazia teatro violentamente também, era um fenômeno", diz ela que, na época, dedicou-se a modernizar o teatro carioca ao lado de Débora Bloch e Andréa Beltrão, entre outros.

Não demorou muito para Fernanda estrear nas novelas. Aos 15 anos, ela fez uma participação de 30 capítulos em "Baila Comigo" (Globo, 1981). Depois, ganhou um papel fixo em "Brilhante" (Globo, 1981-1982), na qual contracenou pela primeira vez com sua mãe. "Mamãe interpretava a minha avó, na novela. O público não entendia aquela trama moderna, em que o personagem do José Wilker (1944-2014) morria e voltava", diz.

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Na versão de "Selva de Pedra" (Globo, 1986), Fernanda viveu a protagonista Simone, papel que foi de Regina Duarte em 1972. "Eu era muito imatura, tinha pouca experiência e aquela mania de grandeza que a vida castiga depois, sabe?", conta. "Fiquei emburrada, e isso é imperdoável. Eu não aguentei o rojão de ser a mocinha da novela das oito. Levei 30 anos para limpar minha barra comigo mesma, para entender o que é ser uma atriz de verdade", complementa.

Em crise, Fernanda não fez mais novelas e passou a se dedicar ao cinema e ao teatro. Entre os anos 1980 e 1990, atuou em 19 longas-metragens. Na carreira, são 26 ao todo.

No ano de 1995, Fernanda voltou à TV em cinco episódios da série "A Comédia da Vida Privada” (Globo). “Foi quando comecei a me sentir preparada para a televisão. Eram textos baseados na obra de Luis Fernando Verissimo e com direção de Guel Arraes, que foi quem me convidou para o projeto”, lembra a atriz que, desde então, tem aparecido em trabalhos ligados à comédia. “Mas o humor não foi uma escolha pensada. Aconteceu e foi o que me fez sentir segura. Fiz a peça ‘5 x ComédiaÂ’, de Hamilton Vaz Pereira, e, desde então, não parei.”

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Para Fernanda, a série “Os Normais” (Globo, 2001-2003) foi um marco em sua carreira. Ela dividia a atração com o ator Luiz Fernando Guimarães. “Devo muito a ele, que me ensinou como fazer TV com leveza. Sempre tive uma vida profissional independente, fazendo cinema e teatro, mas foi a série que me levou a atingir um reconhecimento do público, que me tornou popular”, comenta. “Faltava isso na minha história. No Brasil, o ator tem que assoviar e chupar cana ao mesmo tempo.

Não dá para abrir mão da televisão se ele quer falar com um grande público”, complementa.
Segundo Fernanda, Vani era parte de um projeto desacreditado, pois tinha apenas seis episódios gravados. O sucesso foi tanto que a a atração foi para os cinemas em dois longas. “Vani foi muito importante para mim”, diz.

Para Claudino Mayer, doutor em teledramaturgia pela USP (Universidade São Paulo), Fernanda conseguiu cativar o público e ainda mostrou ser tão talentosa quanto os pais. “Ela passou a ter autonomia, deixou o rótulo de filha da Fernanda Montenegro. Além disso, provou que é uma atriz completa, que pode fazer bem o drama e a comédia sem ficar presa a uma única identidade”, analisa o especialista.
Novos caminhos
Fernanda Torres conta que teve receio de ficar marcada como Vani, personagem de “Os Normais”, para o resto da carreira. “Sei que sou a eterna Vani. É difícil você fazer algo marcante e se reinventar. Por isso digo que tive a sorte de encontrar a Fátima em meu caminho”, diz, referindo-se à personagem que interpreta na série “Tapas & Beijos” desde 2011.

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Para a atriz, o sucesso da atração, que é uma das melhores audiências da Globo, com média de 21 pontos, segundo o Ibope (cada ponto equivale a 65 mil domicílios na Grande São Paulo), deve-se ao bom elenco. “Todos trabalham além da TV e lutam para manter a atração no ar”, diz. “A Andréa [Beltrão, atriz], por exemplo, é uma máquina. Chega a ensaiar espetáculo às 2h da madrugada. Vou doar o corpo dela para estudos [risos].”

A série deve ter sua última temporada em 2015, e Fernanda diz já estar preparada para novos projetos. “Sempre tenho planos além. Gosto de alternar meus trabalhos. Não descarto, por exemplo, um trabalho em novelas. Acredito que estou preparada para essa indústria. Admiro quem faz novela, pois é um baita trabalho.”

Escritora e elogiada em seu primeiro romance, “Fim” (Companhia das Letras), lançado no final do ano passado, Fernanda adianta que lançará um livro de crônicas em outubro, com o título de “Sete Anos”. “Comecei a escrever ‘FimÂ’ quando não tinha muito o que fazer e estava grávida. Então, não sei se ainda sou uma escritora. As crônicas já escrevo há sete anos. Estou aprendendo. Mas devo fazer mais teatro e cinema”, garante.