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Jurado José Messias comemora 70 anos de carreira

Da Redação ·
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fonte: Foto: Arquivo
Jurado José Messias comemora 70 anos de carreira

SÃO PAULO, SP - “Ser jurado é um detalhe na minha vida.” É de forma humilde que o crítico musical José Messias, 86 anos, fala de sua jornada como um dos jurados de programa de calouros mais conhecido do país.

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Atualmente, ele aponta os erros e os acertos das candidatas do quadro “Mulheres que Brilham”, no “Programa Raul Gil” (SBT). “As pessoas me chamam de bravo, mas é melhor dizer a verdade ao candidato. Sou criterioso e não é para fazer tipo”, comenta ele, que já avaliou Roberto Carlos, Fundo de Quintal, Clara Nunes (1943-1983), Joanna, Alcione e Emílio Santiago (1946-2013), em suas primeiras apresentações. “Alcione e Emílio cantavam jazz em inglês divinamente. Depois, enveredaram para o samba e a MPB”, lembra ele.

Compositor desde os 16 anos, Messias foi parar na TV na década de 1970, como jurado e diretor do “Programa Flávio Cavalcanti” (TV Tupi) e, desde então, lida com aspirantes a revelação musical. “Costumo conversar com o candidato antes de ele subir ao palco para orientá-lo. A posição de jurado é ingrata, pois o cantor pode ser excelente, mas não cantar bem na hora. Já vi Elis Regina (1945-1982) chorar por não conseguir cantar”, destaca.

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Dos nomes mais recentes que passaram pelo crivo de Messias estão Robson Monteiro, Rinaldo Viana, Liriel Domiciano, Jamile e André Leono. “Todos eles enveredaram para a música gospel. Menos o Ricky Vallen, que só não foi para as paradas de sucesso pois não virou evangélico”, alfineta.

Criador do quadro “Pra Quem Você Tira o Chapéu”, Messias já criticou nomes como Luan Santana. “Não tirei o chapéu, pois ele é realmente ruim. Mas a culpa é da gravadora. Antes, quem decidia o que o artista ia gravar era o diretor artístico. Agora é o comercial. Muitas vezes, o artista só grava o que vai vender”, argumenta.

Durante anos, Messias formou dupla com Marly Marley (1938-2014) na bancada de jurados do “Programa Raul Gil”. “Sinto um vazio muito grande pela falta dela. Trabalhamos mais de dez anos juntos e até participávamos da escolha dos candidatos. Nós segurávamos bem a mesa de jurados. Nossa palavra era de ordem”, comenta o crítico, que pretende deixar o júri da atração em outubro. “Hoje, vejo que um jurado não tem tanta função em um programa. Tem gente que é convidado para a bancada para vender seu disco. Então, não vejo vantagem em continuar”, revela.

Messias quer se dedicar à carreira de escritor e a dar palestras sobre rádio e TV. “Sou um cara privilegiado. Tenho muita saúde e disposição. Vou viajar o Brasil com meus livros.”