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Autor de obra de Roberto Carlos promete edição ampliada

Da Redação ·
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Autor de obra de Roberto Carlos promete edição ampliada

FORTALEZA, CE, 16 de novembro (Folhapress) - Ambos autores de biografias tiradas de circulação por ações judiciais do biografado ou de seus herdeiros, o jornalistas João Máximo ("Noel Rosa - Uma Biografia", com Carlos Didier) e Paulo César de Araújo ("Roberto Carlos em Detalhes") debateram hoje, em Fortaleza, os seus personagens e o caminho dos seus livros, da criação à proibição.

A conversa, mediada pelo também jornalista Luiz Fernando Vianna (autor de perfis biográficos de Aldir Blanc, João Nogueira e Zeca Pagodinho), integrou o penúltimo dia do Festival de Biografias que ocorre desde anteontem na capital cearense.

João Máximo contou que seu livro sobre Noel começou com uma mentira: para se livrar de um conhecido chato que lhe propôs uma parceria numa obra em homenagem ao compositor, ele inventou que já estava fazendo um. "Resolvi fazer para levar a mentira adiante."

Por indicação do jornalista Sérgio Cabral (pai do governador do Rio), chamou o pesquisador Carlos Didier para auxiliá-lo na biografia, publicada em 1990 pela editora da UnB (Universidade de Brasília).

Em 2004, já com um novo Código Civil em vigor (com os artigos que abrem brecha para a censura prévia a biografias), herdeiros de Noel entraram com ações alegando invasão de privacidade -a obra relata os suicídios da avó e do pai de Noel.

Máximo afirma que o suicídio da avó foi noticiado em um jornal da época e que ambas as mortes são importantes para a compreensão do biografado.

A última ação dos herdeiros foi retirada em novembro passado, e a família fez um acordo com a Companhia das Letras, que também se acertou com Máximo e pretende publicar a reedição. Didier diz ter um acerto prévio com outra editora, a José Olympio, e um novo impasse está estabelecido.

O jornalista disse que sua biografia busca traçar tanto um retrato do compositor quanto "uma história do Rio e da música popular brasileira nos anos 1930". "Você jamais vai conhecer um personagem, sobretudo um que viveu apenas 26 anos, se não conhecer a sua época."

Ele defendeu a dimensão histórica de Noel. "Não estamos falando aqui de qualquer pessoa. Por menos que Caetano Veloso não goste de Noel, ele é importantíssimo. É o grande inventor da letra de música na MPB."

Contou ainda histórias divertidas do autor de "Feitiço da Vila" e "Com que Roupa". Já tuberculoso, Noel levava uma vida autodestrutiva -de manhã, já estava bebendo cerveja e vermute.

Quando o amigo Nássara, compositor e cartunista, disse que aquilo iria matá-lo, ele alegou que cerveja era alimento, porque tinha lúpulo e cevada. "E o vermute?", questionou Nássara, ao que o compositor retrucou: "É que não consigo comer sem beber."

Eu sou terrível

Paulo César de Araújo disse que o que primeiro o levou a um livro sobre Roberto Carlos foi motivação afetiva.

"Roberto Carlos foi o meu primeiro ídolo na infância. Dos artistas da época, o único que eu identificava pela voz era ele. Sou um filho de operário do interior na Bahia [nasceu em Vitória da Conquista], não tínhamos televisão, ouvíamos rádio."

A constatação de que, mesmo após 35 anos de sucesso, Roberto Carlos não era objeto de nenhum livro de análise histórica foi outro incentivo.

"Ou seja, tive motivação afetiva, mas também intelectual. Naquele momento não estava claro que esse livro, que começou como uma monografia de conclusão de curso, seria uma biografia." Logo após "Roberto Carlos em Detalhes" ser lançado, em 2006, o cantor entrou com ações nas áreas cível e criminal para retirá-lo de circulação, com base nos artigos do Código Civil que agora editores e biógrafos tentam derrubar.

Assustada, a editora Planeta fez um acordo com o cantor para retirar de circulação todos os volumes que restavam em livrarias.

Araújo, que prepara um outro livro contando os bastidores dessa disputa ("O Réu e o Rei"), se disse otimista quanto à modificação da lei -há iniciativas para alterá-la no Supremo Tribunal Federal e no Congresso- e tem planos de reeditar em breve a biografia.

"A lei mudando, vamos relançá-la, ampliada e atualizada. "Esse Cara Sou Eu", por exemplo, não existia quando ela foi publicada. Roberto Carlos não sabe, mas eu também sou terrível e vou continuar escrevendo", brincou o biógrafo.

O jornalista Fabio Victor viajou a convite do Festival Internacional de Biografias
 

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