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Painel artístico que reproduzia foto de Hitler é apagado

Da Redação ·
Painel artístico que reproduzia foto de Hitler é apagado (Divulgação)
Painel artístico que reproduzia foto de Hitler é apagado (Divulgação)

RIO DE JANEIRO, RJ, 9 de julho (Folhapress) - Um imenso painel produzido pelo grupo de artistas Coletivo Gráfico a partir de uma foto da Alemanha nazista, que mostra Hitler passando as tropas em revista, e instalado no muro de um centro cultural municipal, o Espaço Sérgio Porto (no Humaitá, zona sul do Rio), foi coberto com tinta preta hoje após uma série de protestos encaminhados à comissão de direitos humanos da Câmara dos Vereadores.

"O Coletivo Gráfico lamenta ter ofendido a comunidade judaica. Nosso intuito nunca foi o de elevar o nazismo, somos um grupo formado por mulheres, homens, homossexuais, pessoas de várias partes da cidade, nunca levantamos nenhuma bandeira de ofensa a nenhuma comunidade", escreveu o grupo em sua página no Facebook.

Segundo os artistas, a intenção da obra "sempre foi de fazer uma analogia a atuação do Estado e do município, que se utiliza de violência policial para com as manifestações e os pedidos do povo, se colocando em uma posição ditatorial, passando por cima da vontade do povo, se utilizando dos eventos que o Rio está recebendo para fazer uma política higienista e excludente".

Na obra do coletivo, a foto original foi espelhada e as suásticas que apareciam na imagem foram substituídas pelos brasões do Estado e do município do Rio. O resultado foi ampliado, colorido (há uma versão laranja e outra vermelha) e impresso em cartazes, colados no muro do espaço cultural, administrado pela secretaria municipal de cultura.

"Temos o Hitler espelhado (...), um para o nosso querido governador, que só cala a boca do povo com sua PM, e outro para o nosso amado prefeito, que transforma nossa cidade em um balcão de negócios, sem respeitar as vontades e necessidades do povo", escreveu o coletivo na rede social. "São imagens de sentimentos, a nossa cidade vive uma situação agressiva e complicada, não com as manifestações e as balas de borracha, e sim com a exclusão social e a opressão vivida pelas camadas mais pobres da sociedade, o caveirão, as remoções, a falta de acesso... É uma leitura sobre... É para a reflexão."

A vereadora Teresa Bergher (PSDB - RJ), que presidente da comissão de direitos humanos da Câmara e pediu à prefeitura que tomasse medidas contra o painel, escreveu na página do grupo.

"Respeitamos o trabalho de vocês, mas a crítica à ação da polícia não estava clara. Esta foto sempre foi usada como propaganda nazista pelos próprios nazistas. A ligação com a polícia não é direta. O que vemos é uma foto que enaltece Hitler e seu general Himmler. E não se pode permitir. Da mesma forma que vocês não tiveram a intenção de fazer apologia ao nazismo, nós também não tivemos a intenção de censurar a arte. Mas nos sentimos ofendidos. E a arte não pode ser usada para ofender. Pode não ter sido a intenção, mas ofendeu quem viveu os suplício causado pelo nazismo. Infelizmente, a ferida está permanentemente aberta. Por favor, compreendam."
 

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