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"Todo mundo nos julga, agora é nossa vez", brinca Spielberg sobre júri de Cannes

Da Redação ·

CANNES, FRANÇA, 15 de maio (Folhapress) - Poucas vezes uma entrevista dos membros do júri da competição oficial do Festival de Cannes foi tão disputada. Hoje jornalistas faziam filas do lado de fora da sala de coletiva do Palais des Festivals uma hora antes do início -e muitos dos repórteres que acompanharam a entrevista anterior não abandonaram o local.

Tudo por causa de uma das mesas mais "estreladas" da história do evento francês: na presidência, o diretor americano Steven Spielberg, e, ao seu lado, os atores Christoph Waltz ("Django Livre"), Nicole Kidman ("As Horas"), Vidya Balan ("Kahaani") e os cineastas Ang Lee ("A Vida de Pi"), Cristian Mungiu ("Além das Montanhas"), Naomi Kawase ("Chiri") e Lynne Ramsay ("Precisamos Falar sobre Kevin").

Spielberg, que já havia recusado outros convites da organização do festival, explicou que sua agenda sempre o impediu de assumir a função de jurado não apenas em Cannes mas também em outros eventos. "Tenho uma consistência no meu trabalho, então, quando me pedem, sempre estou filmando. Cannes me encontrou em um ano livre e me sinto honrado por estar nessa mesa", explicou o diretor de "Lincoln", que perdeu o Oscar para seu parceiro de júri, Ang Lee.

"Não há competição entre nós. Sou amigo de Steven há anos e eu venero seus filmes. Steven Spielberg é meu herói", disparou o diretor chinês. "O melhor de tudo é que em Cannes não tem campanha para vender seu filme. Aqui, o longa é exibido e deliberamos. Nesta discussão, o longa é escolhido. Simples. É um ar fresco na minha carreira", conta Spielberg.

Nos próximos dez dias, Spielberg e seus oito parceiros de júri precisarão ver 19 filmes de diversos países, como China, Estados Unidos, França, Bélgica, México e Japão. "O Festival de Cannes sempre foi bom comigo, então é bom ter o tempo e a paixão para absorver os filmes. A importância de nosso trabalho é na revelação de novos longas", declarou Nicole Kidman, que aceito o convite por outra razão: "Eu nunca passei duas semanas inteiras com Spielberg, então estava ansiosa para me chamarem".

Já Christoph Waltz, que começou sua ascensão meteórica com o prêmio de melhor ator em Cannes por "Bastardos Inglórios", mencionou que foi difícil separar as lembranças de quando subiu na escadaria do Palais des Festivals, em 2009, como desconhecido e, sua nova função em 2013. "São muitas lembranças. Mas vou tentar me concentrar em ser apenas um jurado", falou o austríaco.

Assim como seus filmes, o romeno Cristian Mungiu foi mais seco e direto. "É difícil julgar um filme, mas eu sei como um prêmio em Cannes ajuda na divulgação de um projeto. Procuro coragem e honestidade, porque é preciso muita valentia para fazer algo original ultimamente", disparou o cineasta.

Steven Spielberg foi mais político. "Há filmes que competem pelo público, mesmo que seja um público específico, mais seleto. Não podemos comparar maçãs com laranjas. Filmes têm objetivos diferentes, como estar em muitos cinemas ou mudar a vida de quem os assiste", resumiu o presidente do júri, completando. "Todo mundo nos julga, agora é a nossa vez."
 

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