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Crítica literária - HADO: o universo num copo d’água

Da Redação ·
 HADO: o universo num copo d’água
fonte: Divulgação - Imagem ilustrativa
HADO: o universo num copo d’água

Um copo d’água pode conter bem mais do que o imprescindível líquido que mata a sede e refresca. Isso é o que o pesquisador japonês Masaru Emoto busca provar em seu livro ‘HADO – Mensagens Ocultas na Água’ (Editora Cultrix,168 p.). Emoto parte de uma idéia simples: congelar a água de vários locais para comparar a formação de cristais de acordo com a origem do líquido.

O resultado foi surpreendente: ao nível molecular o que acontece é um processo de formação de cristais com padrões geométricos diferentes em função da origem do líquido, o que revela muito sobre as condições do local de onde a água é proveniente.Emoto observou que os cristais de águas recolhidas em fontes puras na natureza formam padrões simétricos e harmoniosos. É toda uma geometria como linguagem natural que denota harmonia, equilíbrio e simetria.

Ao comparar esses cristais com os formados por águas de outras origens, o pesquisador  japonês pôde observar como a água de grandes centros que sofrem com a poluição e outras condições adversas não consegue formar padrões simétricos e regulares.Essa linguagem invisível da água e dos cristais de gelo que ela forma se constitui num reflexo das condições de vida que se estabelecem nesses locais. Por exemplo, a água de torneira de um grande centro urbano e industrial como Tóquio não consegue produzir cristais perfeitos como a água de um santuário budista ou de uma fonte natural.

O professor Emoto argumenta que essa descoberta é muito importante, considerando-se o fato de que a constituição do ser humano é de 70% de água. Se existe uma relação entre certas condições ambientais e a água que se revela na observação dos cristais, isto significa que o mesmo vale em relação às pessoas que se relacionam com esse mesmo ambiente. Assim como a água registra padrões de vibração que capta do ambiente, o mesmo processo se dá com as pessoas.

Partindo dessa premissa Emoto amplia sua pesquisa e passa a observar a relação que se estabelece entre os cristais de gelo da água que é submetida à repetição de certas palavras. Em japonês existe um termo que diz respeito ao “espírito das palavras”, ‘kotodama’. “No Japão, dizemos que as palavras da alma vivem num espírito chamado kotodama, ou espírito das palavras, e que o ato de dizer palavras tem a força de mudar o mundo.

Todos nós sabemos que as palavras têm uma influência muito grande sobre o nosso modo de pensar e de sentir e que as coisas geralmente são mais tranqüilas quando usamos palavras positivas. Entretanto, até agora nunca havíamos tido a oportunidade de ver concretamente o efeito das palavras positivas”, explica Emoto.

O que atrai nesse livro simples e direto é a exploração da água como metáfora a partir de uma observação empírica muito simples. Ao submeter a água a palavras como ‘amor’ e ‘gratidão’, Emoto conseguiu observar a formação de cristais com padrões de uma simetria complexa e harmoniosa. O mesmo não acontece quando as palavras repetidas na presença da água impedem que ela forme cristais consistentes e harmoniosos.

Daí que, ao pronunciarmos palavras, provocamos a ressonância dessas com a constituição física mesma da água que constitui o organismo das pessoas. Justifica-se então, segundo Emoto, a necessidade de uma purificação das palavras assim como da água, para que a saúde e a vida saiam fortalecidas. Nada de mirabolante, tampouco extravagante nas observações desse pesquisador que percorre o mundo expondo suas fotos que obtém a partir de um método próprio. Emoto usa pratos específicos para práticas de laboratório dentro de uma câmara com temperatura regulada em 5ºC negativos.

Um dos momentos mais interessantes do livro é a demonstração do efeito da música na strutura de formação dos cristais de gelo. Enquanto a 9ª Sinfonia de Bethoven forma um padrão perfeito, o mesmo não acontece com a água que foi submetida à música melodicamente agressiva e com letras que tratam de temas ligados à violência, por exemplo.

Como diz Emoto: “A água ensina de forma muito clara como devemos viver a nossa vida. A história da água vai desde cada célula até abranger o cosmos. Espero que você sinta a mesma esperança e emoção que eu senti ao descobrir o desenrolar dessa história”. Em tempos de preocupação ecológica com o destino das águas do planeta e de saturação de um discurso de catástrofe nos meios de comunicação, o livro do professor Emoto traz algum alento de forma simples e direta. Sua mensagem é cristalina como a água que nasce das fontes nas montanhas. Destaca-seo rico material que ilustra a argumentação do pesquisador que descobriu todo um universo numa gota d’água.

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* O apucaranense Silvio Ricardo Demétrio é formado em Comunicação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mestre e Doutor em Jornalismo pela USP  e atualmente trabalha como professor na UEL

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