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Julia Roberts grava nova versão de Branca de Neve

Da Redação ·
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fonte: Arquivo
Julia Roberts grava nova versão de Branca de Neve

Os contos de fadas escritos pelos irmãos Grimm são na maioria recopilações de lendas da Europa central. Examinadas mais de perto, são recheadas de crueldades e fatalidades pouco palatáveis para o público infantil. São relatos obscuros repletos de mortes e sofrimentos. Ah, e também de príncipes e princesas. Alguma coisa de toda esta essência perversa persiste em Espelho meu, espelho meu, embora o tom do filme que estreia hoje no país, Londrina inclusive, seja mais de paródia do que de tragédia. Aqui, a arquiconhecida história de Branca de Neve e sua egocêntrica madrasta funciona como uma farsa estacionada em algum ponto entre a frieza e a comicidade – embora não em demasia.

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Estamos em tempos revisionistas. E se Chapeuzinho Vermelho já havia recebido sua cota de subversão, tanto em filme com atores como em animação, este ano temos dois momentos nada convencionais com Branca de Neve como protagonista: este, em que a donzela divide visibilidade com a rainha malvada em pegada light, e uma versão mais heavy, Branca de Neve e o Caçador, prevista para 1º de junho no Brasil, na qual o caçador Chris Hemsworth não só poupa a vida da heroína Kristen Stewart como se transforma em seu protetor contra a odiosa rainha Charlize Theron.

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Em Espelho meu... tudo começa com um pequeno resumo feito em animação – de longe o melhor de todo o filme, o que aliás não chega a ser grande coisa. Neste prólogo, a rainha explica como conseguiu a posse do trono e como pretende conservá-lo sendo a mais bela do reino, em relato obviamente feminista. Espelho meu... está narrado do ponto de vista dela. Interpretada por Julia Roberts, a vilã se mostra ornada com peculiaridades e pequenas obsessões vaidosas. Com seus conhecimentos de magia negra, ela mantém tudo sob controle. Frequentemente uma poderosa força cinematográfica e uma intérprete carismática, aqui Roberts em nenhum momento consegue livrar sua atuação de uma série de tiques com os quais ela parece se encantar, mas que resultam inconvincentes

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Endereçada também às crianças, alvo principal das cópias com a habitual péssima dublagem que de resto domina todos os lançamentos, esta versão entrega ao público menor os mesmos personagens do clássico de Walt Disney. São os mesmos de fato, mas configurados de forma diferente. A saber: os sete anões preferem antes roubar pelos caminhos do bosque do que ser mineiros (“é mais rentável e dá menos trabalho”, eles argumentam). E até se transformam em pessoas crescidas. Branca de Neve (Lilly Collins, filha de Phil Collins) é mulher de lutar, literalmente de empunhar armas. Alcott, o príncipe que se apaixona por ela, interpretado por Armie Hammer (atualmente filmando The lone ranger/O cavaleiro solitário ao lado de Johnny Depp como o índio Tonto), está prestes a se casar com a rainha. O povo está duramente castigado pela crise e pelos altos impostos. O leal súdito e caçador que deve assassinar Branca de Neve é Nathan Lane, o personagem com mais textos humorísticos no roteiro. E por aí vai.

Não que o filme reinvente a popular história. Também não é sátira à produção do velho titio Disney. Ao combinar puro luxo exterior com rala substância, e elementos de comédia com fantasia romântica, o filme oferece seus próprios (e discutíveis) códigos na tentativa de modernizar o discurso, isto é, Branca de Neve e os anões trabalham a possibilidade de mudar seus destinos, vingar os maus tratos e obter um final feliz. Pena que o roteiro não tenha sabido armar um filme um pouco mais inteligente.