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    Viés de baixa externo leva à realização na B3 apesar de aprovação da PEC

    Escrito por Da Redação
    Publicado em 12.03.2021, 11:43:00 Editado em 12.03.2021, 11:47:41
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    O quadro negativo que se desenha nesta sexta-feira nos mercados de ações do exterior após o Dow Jones e o S&P 500 renovarem máximas históricas ontem contamina o Ibovespa, que também voltou a testar os 115 mil pontos, embora tenha fechado aquém dessa marca (114.983,76 pontos, alta de 1,96%). Além de uma realização em si, seguem ainda no radar temores com eventual disparada da inflação no mundo, em meio a expectativas de aceleração da retomada nos EUA, a maior economia do globo. Ontem, o presidente dos EUA, Joe Biden, assinou o pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão aprovado no Congresso americano esta semana e prometeu antecipar a vacinação de adultos contra covid-19 no país.

    Apesar disso, nesta sexta-feira os rendimentos dos Treasuries voltaram a avançar, com o vencimento de 10 anos ultrapassando a marca psicológica de 1,6%, afetando também os juros de bônus europeus. Com isso, o Ibovespa cai, tendo dificuldade em sustentar os 114 mil pontos vistos mais cedo.

    Dado bastante aguardado, o índice de inflação ao produtor americano de fevereiro subiu 0,5% ante janeiro, ficando dentro do esperado, enquanto o núcleo do PPI avançou 0,2%, aquém da estimativa média de analistas de 0,3%.

    "Ao contrário do CPI, o PPI indica o que está por vir... Ainda é preciso avaliar com mais detalhe", pondera Pietra Guerra, analista da Clear Corretora. Em sua visão, a queda observada na B3 e na maioria dos mercados de ações externos reflete uma preocupação com eventual escalada da inflação americana diante da perspectiva de aceleração da retomada econômica, assim como uma devolução de lucros depois de alguns dias de alta.

    "Tem uma realização e inevitavelmente deve-se a alguns fatores aceleração inflacionária em meio à perspectiva de retomada da economia. E o Brasil pode se beneficiar dessa liquidez. A questão é se não perderá a oportunidade. Temos de ver como ficará se o arcabouço político será capaz de passar segurança para o investidor, especialmente o estrangeiro", diz Pietra.

    Às 11h21, o Ibovespa cedia 1,13%, aos 113.679,77 pontos, na mínima.

    De acordo com Roberto Attuch Jr., CEO da OhmResearch, plataforma de análises independentes, depois de um alívio nos títulos americanos de dez anos dias atrás, hoje voltaram a subir, reforçando a preocupação com a eventual escalada inflacionária. "Acreditamos que a tendência é continuar subindo, diante da expectativa de aceleração do PIB dos EUA acima da imaginada pelo mercado", avalia.

    "Junto com o pacote dos EUA, tem o temor de um possível aumento da inflação causado por esse dinheiro, por esses estímulos após aprovação de um pacote de US$ 1,9 trilhão no país", avalia Adilson Bonvino, sócio da Unnião Investimentos.

    Conforme Bovino, apesar do recuo apresentado no varejo brasileiro em janeiro, ressalta que a queda não o surpreende e pode ainda ficar ainda mais intensa à frente diante da adoção de medidas mais restritivas em algumas cidades brasileiras para conter a pandemia de covid-19. "Lógico que é ruim essa queda, assim como a situação do País por causa da pandemia, mas ainda há fluxo, tem comprador", completa.

    Outra indicação de queda do Ibovespa hoje vem das commodities. Os contratos futuros de petróleo em Nova York e em Londres caem em torno de 0,60% esta manhã, enquanto o minério de ferro fechou hoje em queda de 3,08%, a US$ 165,44 a tonelada, no porto chinês de Qingdao, após alta na véspera. Esses recuos devem motivar uma realização de lucros principalmente das ações ligadas a commodities metálicas, que subiram ontem. Tanto as ações da Vale ON (-1,58%) quanto as de Petrobrás (PN: -0,82% e ON: -0,74%) cedem.

    Nem mesmo a ajuda a conter a queda a informação apurada pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) de que o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, terá seu nome indicado por um grupo de acionistas minoritários à presidência do conselho da Vale.

    Além disso, a conclusão pela Câmara da votação da PEC emergencial perto da meia-noite, é insuficiente para dar algum alívio, já que, segundo analistas, havia sido "precificada", foi levada em conta nos preços dos ativos. Ainda assim, "a expressiva votação no segundo turno é uma boa sinalização para o governo, indicando que o Congresso, respeitando as particularidades de algumas bancadas, tende a se posicionar de forma favorável às pautas que colocam o País rumo à retomada da credibilidade fiscal", avalia em nota a equipe de Macro Research do BTG Pactual digital.

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