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Transição ecológica não pode impedir industrialização de países em desenvolvimento, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado, 2, que os custos da transição ecológica do "mundo desenvolvido" estão sendo transferidos ao Sul-global, que, segundo ele, já são os mais afetados pelas mudanças climáticas. "Estamos sendo d

Leon Ferrari (via Agência Estado)

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Escrito por Leon Ferrari (via Agência Estado)
Publicado em 02.12.2023, 12:30:00 Editado em 02.12.2023, 12:35:18
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado, 2, que os custos da transição ecológica do "mundo desenvolvido" estão sendo transferidos ao Sul-global, que, segundo ele, já são os mais afetados pelas mudanças climáticas. "Estamos sendo duplamente punidos", disse durante encontro do G77+China, maior grupo de países em desenvolvimento, na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-28) em Dubai. O petista defendeu que essa transição não pode impedir a industrialização de países do bloco e relegá-los à posição de exportadores de commodities e exportadores de matérias-primas. "Há vários modelos de transição ecológica em direção ao mundo descarbonizado. Uma transição justa não pode nos relegar a uma posição de produtores de commodities e exportador de matérias-primas. Nem inaugurar um novo ciclo de exploração predatória de nossos recursos naturais, em particular dos minerais críticos. Ela tem de nos permitir transformar e diversificar nossas bases produtivas, e avançar na industrialização", afirmou. O presidente comemorou o início da operação do fundo de perdas e danos do clima. Um grupo de nações ricas anunciou na quinta-feira, 30, a destinação de mais de US$ 400 milhões (quase R$ 2 bilhões) para colocá-lo em prática. "Serve de inspiração para as negociações dos próximos dias." "É uma questão de justiça climática que aqueles que mais contribuíram para o aquecimento global arquem com sua responsabilidade", afirmou. Ele defendeu fluxos contínuos de recursos para que os países de baixa e média renda resolvam seus problemas de endividamento, em um contexto que, segundo ele, as nações em desenvolvimento precisarão de US$ 4 trilhões a US$ 6 trilhões ao ano para implementar "suas contribuições nacionalmente determinadas e plano de adaptação". Nesse sentido, Lula disse que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) precisam passar por uma reforma. De acordo com ele, falta representatividade. "No conselho do fundo global para o meio ambiente, Brasil, Colômbia e Equador são obrigados a dividir uma única cadeira, enquanto vários países envolvido ocupam cada um o seu próprio assento", disse. "Os mecanismo de financiamento climático ambiental não podem reproduzir a lógica excludente dessas instituições."

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Paz e Conselho de Segurança

Lula voltou a fazer um pedido pela paz mundial e pelo cessar de guerras, citando os conflitos entre Rússia e Ucrânia e Israel e palestinos. "Estamos tentando salvar o planeta, não para destruí-lo em guerra." O presidente defendeu mais uma vez a reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU). "Ou nós mudamos o conselho de segurança da ONU ou nós colocamos mais países participando da ONU ou a irresponsabilidade irá prevalecer sobre a sensatez daqueles que brigam por paz. Por isso, eu estou incomodado ao começar a minha fala, e não poderia deixar de pedir aos que estão em guerra, que parem de se matar. Sentem numa mesa de negociação e vamos salvar vidas, ao invés de destruí-las."

Inteligência artificial

No discurso, o presidente também abordou o tema da inteligência artificial. Segundo ele, sem "diretrizes claras" e "coletivamente acordadas", os modelos gerados "exclusivamente com base na experiência dos países do Norte" vão se impor. "O mundo não pode repetir a divisão entre responsáveis e responsáveis que uma vez marcou as discussões sobre desarmamento e não proliferação."

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