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'Trade' eleitoral leva Ibovespa ao maior nível desde maio, em alta de 3%

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Em um pregão marcado por uma firme alta, o Ibovespa voltou ao patamar dos 185 mil pontos (alta de 3,05%, aos 185.205,09 pontos), maior nível desde maio, pautado pelo "trade" eleitoral. Após a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, os investidores voltaram a se animar com o acirramento da disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições, confiantes de que uma eventual vitória da chapa à direita represente maior compromisso com as contas públicas.

Um sinal de que a bolsa contou com elementos domésticos para os ganhos é o desempenho no exterior.

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O EWZ (iShares MSCI Brazil), o maior ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, disparou 4,16% no dia, enquanto o EEM (iShares MSCI Emerging Markets), ETF de mercados emergentes, subiu apenas 0,57%.

Conforme mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), os investidores vêm se posicionando em opções de compra (calls) de EWZ e Petrobras para dezembro, pós-eleição, justamente em meio ao aumento de confiança na possível vitória de Flávio.

Um grande destaque, e que também captura esse sentimento político, é o Banco do Brasil (+5,50%), uma estatal mais sensível ao "trade" eleições, notam operadores. As altas também passaram pela Vale, pela Petrobras, pelos bancos e pelo setor de utilities, caso da Axia e Sabesp.

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"Esse movimento é relevante porque o mercado não gosta de incerteza fiscal e uma parcela importante dos investidores enxerga uma eventual troca de governo como um possível sinal de uma política econômica mais ortodoxa", diz Marcos Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital.

O bom humor dos investidores no dia aparece não apenas no Ibovespa, mas também na valorização do real e no recuo dos juros futuros, indicando uma redução momentânea do prêmio de risco exigido para os ativos brasileiros, ressalta Paulo Silva, cofundador da Advisory 360. "Empresas mais sensíveis ao ambiente doméstico e ao risco político acabam respondendo com mais intensidade a essa percepção", afirma.

Para Pedro Galdi, analista do AGF, chama a atenção o Ibovespa iniciar o mês "se descolando da pressão do exterior", mais um sinal claro de como o mercado brasileiro está refletindo de forma intensa o "trade" eleitoral.

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Além disso, ele nota que o envolvimento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ajuda a embaralhar o jogo político. Isso porque a exposição de Vorcaro ao lado de Moraes pode virar munição eleitoral: a oposição explora a imagem do ministro, visto como antagonista do bolsonarismo, para empurrar Lula à defensiva no debate institucional.

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