Economia

Tom mais duro de BCs leva a cautela global e derruba Ibovespa em 1,04%

Da Redação ·

A cautela externa após uma semana de decisões monetárias duras ao redor do mundo deu o tom para a bolsa brasileira hoje. Nem mesmo o leilão do excedente da cessão onerosa, que arrecadou R$ 11,1 bilhões, o aumento do preço do minério na China ou o bom desempenho do setor de alimentos conseguiu segurar o efeito que o combo bolsas globais e petróleo em queda, risco Ômicron e vencimento de opções sobre ações ,aqui e nos EUA, tiveram sobre o Ibovespa hoje. No entanto, serviram para segurá-lo longe das mínimas do dia, alcançadas logo após a abertura do mercado americano, quando o índice tocou os 106 mil pontos.

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Assim, o Ibovespa terminou a última sexta-feira útil do ano em queda de 1,04%, aos 107.200,56 pontos. Na mínima do dia, chegou aos 106.517,80 pontos, em queda de 1,67%. No pico, que coincidiu com a abertura, foi aos 108.324,34 pontos. Na semana, o balanço foi de estabilidade, com o índice acumulando queda de 0,52%.

"A inflação acabou vindo mais rápida e num volume muito acima do que se esperava e isso obrigou os BCs a antecipar a redução de estímulos monetários. Ela já ocorreria, mas não esperávamos que fosse tão rápida. O que estamos vendo hoje é um reflexo disso", explica Zeller Bernardino, da Valor Investimentos.

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Além da aceleração da redução de estímulos e previsão de três altas nos juros nos Estados Unidos em 2022, anunciada na quarta pelo Federal Reserve (Fed), o mercado viu ainda decisões mais duras na Zona do Euro e no Reino Unido, ontem, e do Japão, que anunciou nessa madrugada que encerrará seu programa de estímulos no ano que vem. Com a onda de aperto pelos bancos centrais, o mundo se preocupa agora com os efeitos práticos sobre a quantidade e o fluxo de investimentos, com a liquidez do mundo mais enxuta e ativos de menor risco mais atraentes, o que prejudica emergentes.

Lá fora, Dow Jones e S&P 500 encerram o dia em queda de 1,48% e 1,03%. Já Nasdaq, que chegou a operar no azul, encerrou o pregão perto da estabilidade, em baixa de 0,07%.

"Os investidores seguem bastante cautelosos e ainda digerindo as decisões de política monetária dos bancos centrais mundo afora, que seguem a prioridade de lutar contra a inflação alta, restringindo flexibilizações monetárias. Ao mesmo tempo em que a gente vê possíveis impactos da variante Ômicron mundo afora", completa Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos.

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A nova variante da covid-19 voltou aos holofotes hoje, após dados preocupantes, sobretudo na Europa. No Reino Unido, o governo prevê que os casos devem dobrar a cada dois dias. Ontem o país teve 88 mil casos de coronavírus - recorde desde o início da pandemia - e estima-se que 41% das infecções sejam pela nova variante. Além disso, na África do Sul, um dos primeiros países a registrar casos da Ômicron, houve aumento de 70% das pessoas hospitalizadas.

Além de inserir cautela nas bolsas globais, as notícias derrubaram o preço do barril de petróleo. A queda ocorre sobretudo porque, caso novos lockdowns ou restrições sejam impostas, há um impacto na demanda. Assim, o barril do Brent terminou o dia em queda de 2,00%, e o WTI, de 1,98%.

Com isso, as ações da Petrobras terminaram o dia em queda de 2,44% (ON) e 2,36% (PN). Nem mesmo o leilão do excedente da cessão onerosa, que teve a petroleira arrematando as duas áreas leiloadas - Sépia e Atapu - por meio de consórcios com outras empresas, conseguiu mudar o sentimento. Movimento similar ocorreu com as siderúrgicas e metalúrgicas, que não conseguiram emplacar bom desempenho mesmo com alta de 3,05% no preço do minério de ferro no porto de Qingdao, na China. A Vale, papel de maior peso no Ibovespa, encerrou o dia com recuo de 1,58%.

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"Mesmo com o avanço do minério na China, as nossas siderúrgicas e mineradoras não conseguiram segurar. Hoje também é dia de exercício, aqui de opções e lá fora tem o exercício triplo. E isso traz mais volatilidade", aponta Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

No setor financeiro, os bancos também contribuem com forte desempenho negativo, com Banco do Brasil liderando as perdas e caindo mais de 3%. Por outro lado, o setor de alimentos destoa do comportamento da bolsa, embalado pelo noticiário corporativo favorável e por notícias de demanda na China. Destaque para a BRF, que subiu 5,39% após anunciar, ontem, aumento de capital por meio de oferta pública de distribuição primária, que tem potencial de movimentar R$ 6,6 bilhões, A Marfrig, que detém parte da BRF, também subiu 3,71%.

Apesar do desempenho negativo essa semana, as duas outras primeiras semanas do mês, de alta firme, levam o Ibovespa a acumular alta de 5,19% em dezembro. As próximas semanas, que antecedem o Natal e o Ano Novo, devem ser de liquidez mais fraca, o que pode inserir alguma volatilidade no índice.