Economia

Tensão Rússia-Ucrânia e feriado nos EUA deixam Ibovespa instável

Da Redação ·

Em meio a dúvidas se de fato Estados Unidos e Rússia se reunirão esta semana, a fim de encontrarem soluções diplomáticas para a crise na Ucrânia, e o fechamento dos mercados norte-americanos nesta segunda-feira por conta de feriado, provocam instabilidade ao Ibovespa. Nem mesmo a alta das commodities impede o sobe-e-desce, mas limita um recuo expressivo do índice que, na mínima diária marcou 112.501,33 pontos. Já a máxima alcançada até o momento fora de 113.210,75 pontos, com alta de 0,29%.

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Além da ausência de Nova York, investidores operam meio que em compasso de espera de tração da

agenda da semana. Nos próximos dias, serão informados dados de inflação aqui e nos EUA, índices fiscais e de emprego no Brasil, além de balanços relevantes como o da Petrobras, Vale, Gerdau, Ambev, entre outros. Também está prevista a votação, no Senado, de dois projetos de leis que visam reduzir os preços dos combustíveis.

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Em meio a tanta incerteza por conta a crise geopolítica, o que dá para afirmar é que o mercado tende a ficar com bastante volatilidade, afirma Leonardo Morales, sócio da SVN Gestão de Recursos.

Apesar da afirmação do governo da França, de que os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos EUA, Joe Biden, concordaram "em princípio" em participar de uma cúpula proposta pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para discutir a crise na Ucrânia, o cenário é de cautela lá fora. Isso porque a Rússia diz que ainda é "prematuro falar sobre planos específicos para" uma reunião de cúpula entre os dirigentes.

"O foco dos mercados permanece nas tensões geopolíticas entre a Rússia e a Ucrânia, mantendo a

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volatilidade dos preços dos ativos elevada", observa em nota o Bradesco.

Como ressalta Pietra Guerra, especialista de ações da Clear Corretora, o conflito segue traçando a "cor do mercado" hoje. "Há cerca de 190 mil soldados Russos nas fronteiras com a Ucrânia, incluindo aí os que estão na Bielorrússia, e o que o mercado aguarda, que seria uma melhor resolução, uma saída diplomática", menciona em relatório. Mas, acrescenta Pietra, também sabe-se que uma saída diplomática pode ser mais lenta.

As bolsas europeias cedem com força diante desse quadro e ainda após dados de atividade da zona do euro mostrarem melhora unicamente por conta do setor de serviços, bem como os índices futuros de Nova York. Em contrapartida, o petróleo retoma alta, tentando recuperar perdas da semana passada. O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, por sua vez, fechou em elevação de 5,04%, a US$ 137,54 a tonelada, após o encerramento dos Jogos de Inverno no país.

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"Os ativos internos: Bolsa e real estão com bom desempenho. Vínhamos com um valuation deprimido quando se falava de múltiplos para a Bolsa. Além disso, a rotação de ações favoreceu muito, dado que bancos e commodities representam em torno de 60% do Ibovespa", avalia Morales, sócio da SVN. Para ele, como a valorização das matérias-primas, os resultados corporativos desta semana, como Vale e Petrobras, podem dar algum fôlego ao índice Bovespa.

No entanto, nem mesmo as notícias da seara corporativa brasileira dão fôlego ao Ibovespa. A Eletrobras e a Weg, por exemplo, assinaram contrato para fornecimento de 72 aerogeradores de 4,2 MW, incluindo logística, montagem e comissionamento, além de dois serviços de operação e manutenção ao longo da vida útil do projeto. O valor aproximado do negócio é de R$ 2,1 bilhões. As ações da Eletrobras reagiam em queda de 1,95% (PNB) e de 2,02% (ON), enquanto as da Weg cediam 0,30%, perto de 10h50.

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Também ficam no radar as ações da Braskem, após um acionista da empresas optar por converter os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) classe "B" que detinha em PN classe "A". Os papéis caíam 1,96%.

Além disso, o investidor ficará de olho em Americanas e Submarino, depois que os respectivos sites ficaram fora do ar no fim de semana. As ações da Americanas lideravam a lista das oito maiores perdas do Ibovespa, ao ceder 4,69%.

Já a Embraer informou entrega de 55 jatos no quarto trimestre de 2021, sendo 16 comerciais e 39 executivos (26 leves e 13 médios). Os papéis caíam 1,93%.

Às 10h51, o Ibovespa tinha recuo de 0,04%, aos 112.835,29 pontos.