Economia

'Temos de olhar tempos voláteis com bastante cautela', diz diretora do BC

Da Redação ·

A diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos Banco Central, Fernanda Guardado, voltou a enfatizar que a autoridade monetária fará o que for necessário para levar a inflação para as metas. "Estamos enfrentando tempos muito voláteis. O cenário tem mudado bastante. Tem sido um ciclo muito rápido e forte, e ainda não terminamos. Parte do mercado critica, mas estou muito confiante que fazemos trabalho na direção correta. Temos que olhar tempos voláteis com bastante cautela", afirmou, em evento virtual promovido pelo UBS Investment Bank NY.

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Fernanda admitiu que o BC achava que o pico da inflação em 12 meses chegaria em outubro, mas agora acredita que isso ocorreu em novembro. "Desinflação para nós é redução consistente de taxa em 12 meses, sem novas surpresas. Queremos ver a ancoragem de expectativas, especialmente no longo prazo, e essa desinflação acontecendo", acrescentou.

A diretora admitiu que as expectativas de inflação seguem subindo, enquanto as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) caem. Ela reforçou que o BC segue comprometido em levar a inflação para a meta "ao longo" do horizonte relevante que inclui os anos de 2022 e 2023. "Esperamos desinflação ao longo de 2022, chegando a 4,7% no fim do ano. Estamos atuando para convergência de inflação ao longo de horizonte relevante", afirmou.

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Fernanda avaliou que o atual movimento de alta da Selic deve impactar a economia em meados do próximo ano. "Já fizemos maior ciclo de juros desde 2002 e vamos persistir nessa estratégia", completou. Desde março, a Selic já foi elevada em 7,25% pontos porcentuais, saindo de 2,00% ao ano para 9,25% na semana passada.

Recuperação lenta

A diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos Banco Central reconheceu que há sinais de uma recuperação mais lenta da economia. Ainda assim, segundo ela, a atividade deve continuar em expansão em 2022, puxada pelo desempenho de serviços. "Temos alguns sinais de redução em índices de confiança", apontou.

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O Banco Central reduziu sua estimativa para o crescimento do PIB de 2022, de 2,1% para 1,00%. A nova estimativa consta no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no período da manhã.

A diretora repetiu que as pressões inflacionárias se deslocaram ao longo de 2021 de alimentos para bens, energia e combustíveis. "Combustíveis e energia representam quase metade da inflação este ano", argumentou. "Também já era esperada uma maior pressão nos preços de serviços no segundo semestre, com a reabertura da economia", completou.

Preços ao produtor

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Fernanda Guardado destacou que a pressão de preços ao produtor tem sido repassada aos preços ao consumidor em todo o mundo. Ela lembrou que os bancos centrais de diversos países iniciaram movimentos de alta dos juros para combater esse movimento. "Os países emergentes foram os primeiros a deixarem para trás as políticas expansionistas, o BC brasileiro começou a subir os juros ainda em março. Esperamos alta de juros nos Estados Unidos no ano que vem. Hoje BoE também aumentou juros", afirmou.

A diretora disse ter uma expectativa que inflação convirja em 2022 e 2023 nos países emergentes. "Outros emergentes também estão indicando mais altas de juros à frente. O BC brasileiro teve um ciclo mais agressivo, começamos antes, com inflação muito alta."

Inércia

Fernanda Guardado avaliou que os modelos da autoridade monetária não têm mostrado um aumento da inércia inflacionária, como cogitam alguns economistas. "Esses exercícios não sugerem mudança no coeficiente de inércia. O que nossos estudos mostram é que os preços têm seguido a inércia usual", afirmou, no evento virtual promovido pelo UBS Investment Bank NY.