Economia

Temor com inflação nos EUA impede Ibovespa de subir após decisão do Copom

Da Redação ·

O temor de disparada da inflação nos Estados Unidos volta a assombrar os mercados, um dia depois do posicionamento dovish (mais leve) do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Os dos Treasuries norte-americanos renovaram máximas, após o Fed sinalizar ontem em sua decisão de política monetária mais crescimento econômico, mas sem aumento do juro básico. Essa preocupação impede alta do Ibovespa hoje, depois da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

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Surpreendendo boa parte do mercado, o Banco Central (BC) subiu a Selic em 0,75 ponto, para 2,75% ao ano, e ainda indicando novo ajuste da mesma magnitude em maio. Ontem, o índice brasileiro subiu 2,22%, aos 116.549,44 pontos.

Como o juro básico estava em nível histórico de baixa e ainda continua, a expectativa é de que isso ajude a conter uma eventual queda do Ibovespa motivada pelo comportamento negativo dos índices acionários norte-americanos. Além disso, a retomada do ciclo de elevação da Selic tende a ser vista como um atrativo para a entrada de capitais no País, diante da avaliação de que o Banco Central está sendo responsável neste momento de aceleração inflacionária e crescimento baixo.

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"É preciso levar em consideração que nunca o País teve uma taxa tão baixa. Apesar da elevação, ainda continua em nível bastante baixo. Está na hora de uma normalização da curva de juros, dados todos os estímulos", avalia o economista Alexandre Almeida, economista da CM Capital.

Para Bruno Takeo, da Ouro Preto Investimentos, ainda que inesperada, a decisão do Copom foi acertada, mas acredita que a preocupação com a possibilidade de disparada da inflação nos EUA prevaleça hoje, de forma que o Ibovespa tenda a seguir o exterior.

"Já começou a haver divergência entre os membros do Fed quanto ao início do ciclo de alta do juro nos EUA. Antes era unanimidade que subiria somente em 2023. Pode ser que suba antes, já que tem esse cenário de vacinação adiantado e economia avançando, podendo gerar inflação", avalia.

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Em dia de agenda mais fraca, hoje saiu apenas o índice dos pedidos de auxílio-desemprego dos EUA. O dado subiu 45 mil na semana, a 770 mil, ante previsão média de analistas de 700 mil.

Já o Banco da Inglaterra (BoE, pela sigla em inglês) manteve sua taxa básica de juros em 0,10% e o tamanho do seu programa de relaxamento quantitativo (QE) em 895 bilhões de libras, como previsto por analistas. A decisão foi unânime. "Faz bastante sentido essa manutenção apesar da vacinação em andamento no Reino Unido. De outro lado, vemos o Banco Central Europeu com zona do euro ainda um pouco atrás quanto à imunização", afirma Takeo.

Hoje, a presidente do BCE, Christine Lagarde, reiterou que a instituição implementará compras de ativos por meio do programa emergencial conhecido como PEPP "de forma flexível e de acordo com as condições de mercado.

No noticiário corporativo, destaque para o balanço da Gol. A empresa teve lucro líquido de R$ 16,8 milhões no último trimestre de 2020, queda de 95,2% ante igual período de 2019. Já o Ebitda recorrente do trimestre alcançou caiu 90,9% sobre o mesmo período do ano anterior. As ações caíam em torno de 4,81% às 10h49. O Ibovespa cedia 0,75%, aos 115.610,66 pontos. Já as ações de bancos subiam após a decisão do Copom, já que estimula spreads mais elevados. Porém, dada a preocupação externa, a alta era moderada, em torno de 0,50%.