Economia

Temor com inflação global pesa na Bolsa apesar de balanços fortes

Da Redação ·

Renovadas preocupações com aceleração inflacionária mundial voltam a incomodar investidores, provocando mau humor nos mercados, o que não é diferente na B3 nesta terça-feira. Logo nos primeiros minutos do pregão, o Ibovespa já perdia em torno de 1.500 pontos, indo para mais um dia de baixa, após o recuo de 0,11%, aos 121.909,03 pontos, ontem. O temor é de que o encarecimento das commodities leve os bancos centrais de grandes economias a anteciparem o processo de normalização da política monetária. Na China, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) de abril subiu 6,8% na comparação anual, alta menor que a estimativa de 6,5% de analistas, nível mais alto desde outubro de 2017.

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"O mercado está caindo na real. Esqueceu que alta das commodities gera inflação e que isso pode resultar em retirada de estímulos", resume o estrategista do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

Contudo, depois de ter perdido os 121 mil pontos, renovando mínima intradia aos 120.145,44 pontos, o Ibovespa reduzia a velocidade de queda, o que também ocorria nas bolsas de Nova York.

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Na avaliação do economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, os efeitos deste panorama externo nos mercados locais devem ser comedidos, possivelmente afetando de forma mais clara o Ibovespa - ainda que alguns papéis sigam sustentados pelo fôlego das commodities. "Nessa linha, o índice ainda deve preservar os 121 mil pontos", estima em nota.

De fato, o que limita queda do índice brasileiro são as ações de empresas do setor de commodities, com destaque para a alta de 2,07% de Vale ON às 11h04, puxando empresas de siderurgia. O Ibovespa caía 0,38%, aos 121.449,72 pontos.

No Brasil, a inflação também preocupa, apesar da ata do Banco Central (BC) ter afirmado que elevações de juros subsequentes até patamar neutro implicam projeções de IPCA abaixo da meta. Além disso, ressalta que a recuperação econômica pode ser mais lenta que a estimada por causa dos efeitos da pandemia de covid-19 e produzir inflação baixa. Informado também hoje, o IPCA arrefeceu a 0,31% em abril (de 0,93% em março), mas acumulou 6,76% em 12 meses.

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O economista-chefe da Necton, André Perfeito, avalia que a aposta do BC, reiterada na ata divulgada hoje pela instituição, é que a alta recentemente observada é transitória. "Vemos com mais ceticismo este fenômeno uma vez que com as principais economias em alta o choque em commodities deve continuar", avalia em nota. Conforme Perfeito, a inflação brasileira no momento atual é eminentemente de custos e dificilmente a política monetária poderá sozinha dar conta dos desafios.

Contudo, o ambiente externo negativo tende a pesar mais sobre a Bolsa brasileira, ressalta Luiz Roberto Monteiro, operador de mesa institucional da Renascença.

Depois de cair mais cedo, as cotações futuras do petróleo no exterior passaram a subir. Hoje, a Opep manteve sua previsão de alta na demanda global pela commodity este ano, em 6 milhões de barris por dia (bpd). Já o minério de ferro também fechou em queda hoje na China.

Já o noticiário corporativo movimentado no Brasil pode servir de alento, como o resultado do BTG Pactual, que registrou lucro líquido de R$ 1,176 bilhão no primeiro trimestre de 2021, 53% superior ao observado no mesmo intervalo de 2020. Os papéis subiam 0,07%. Já a Itaúsa apresentou lucro líquido de R$ 2,207 bilhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 118,1% em relação ao mesmo período de 2020. As ações da Itaúsa cediam 0,19%. A Klabin, por sua vez, reverteu prejuízo no período em lucro de R$ 421 milhões. As units da empresa cediam 1,71%.