Economia

Temor com inflação global pesa e Ibovespa cai a 117 mil pontos

Da Redação ·

Os investidores iniciam a semana curta pelo feriado de Sexta-Feira Santa na defensiva, em meio à aceleração da inflação na China, onde as medidas restritivas de isolamento social avançam na tentativa de conter a nova onda de covid-19. O minério no mercado chinês fechou em forte queda (quase 5% em Dalian) e o petróleo vai na mesma direção, com recuo na faixa de 4%, devendo impedir um início de pregão em alta ao Ibovespa. O temor é de novos gargalos na cadeira de suprimentos e, consequentemente, mais pressão inflacionária, em um cenário de atividade fraca.

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O lockdown rígido em Xangai, megacidade chinesa com 25 milhões de habitantes, reforça o medo com a inflação, diz Caio Kanaan Eboli, sócio e diretor operacional da mesa proprietária Axia Investing. "As bolsas todas caem com esse temor de mais inflação e falta de produtos no mundo", afirma.

Na sexta-feira, 8, o principal indicador da B3 fechou em queda de 0,45%, aos 118.322,26 pontos. Nesta semana, o foco na agenda no Brasil serão índices de atividade. O investidor ainda ficará de olho na movimentação salarial do funcionalismo.

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Puxado principalmente por ações ligadas a commodities, ao setor de consumo e por Eletrobras, o Ibovespa cai para a faixa dos 117 mil pontos. Além da aceleração da inflação na China, João Abdouni, analista da Inversa, destaca o avanço há dias dos títulos americanos. Em tese, isso deveria fazer com que o dólar se fortalecesse e as bolsas caíssem. "No entanto, não temos visto muito isso. Pode ser que agora tenhamos uma correção", estima.

Apesar de ter caído 2,67% na semana passada, o Ibovespa acumula alta de 12,88% em 2022. "O que vejo é uma inflação que deve puxar alta de juros global. Só que com perspectiva de alta das commodities, o Ibovespa tende a ser menos impactado", pondera Abdouni.

Preocupações com os preços do gigante asiático se somam a temores com a inflação nos Estados Unidos, onde hoje haverá falas de membros do Federal Reserve (Fed, o banco central do país) que poderão dar sinais sobre política monetária, enquanto o conflito no Leste Europeu não dá trégua. Nessa linha, por aqui o mercado avalia com cuidado as palavras do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, após o IPCA de março acelerar, superando as expectativas, pressionando os juros futuros para cima na sexta-feira.

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Em sua apresentação, Campos Neto disse que tem havido surpresas inflacionárias em diversos países. "Brasil tem claramente taxa de juros mais restritiva que outros países", disse. Disse que está "analisando a surpresa no IPCA para ver se muda algo na tendência." Afirmou que avaliará o impacto de alta de juros global no Brasil e reagir ao que acontecer.

Apesar disso, Eboli, da Axia, acredita que por ter saído na frente, ao começar a subir juros antes, o País tende a continuar em posição menos desfavorável que até mesmo países desenvolvidos. "Está em melhor situação, a Europa demorou para começar o processo de aperto monetário, praticamente agora que a crise está prestes a explodir", afirma.

Enquanto a agenda de indicadores nos EUA está esvaziada - ganha força a partir de amanhã com o CPI e na quarta com balanços -, o juros dos Treasuries avançam e "atingem maior nível desde o início de 2019. O aumento das taxas de juros é disseminado para todos os prazos", avalia em nota a MCM Consultores. A alta vem na esteira de sinais de aceleração no ritmo de aperto monetário pelo Fed.

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"O tema inflacionário segue no radar, na véspera da divulgação do CPI nos EUA, que deve carimbar o recente endurecimento de discurso pelo Fed", descreve o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, em comentário a clientes e à imprensa.

No Brasil, destaque para o noticiário envolvendo a Eletrobras, dado que a pauta de privatização da empresa ficou fora do Tribunal de Contas da União (TCU). Às 11h05 desta segunda-feira, 11, as ações da companhia cediam 1,72% (PNB) e 1,56% (ON).

Petrobras cedia 0,73% (PN) e 0,81%); Vale ON perdia 1%. BRF ON recuava 5,05%. Já Braskem PNA subia 3,26%, com o dólar à vista testando alta de 10,7%, a R$ 4,7174.

O Ibovespa cedia 0,66%, aos 117.546,81 pontos, ante mínima diária a 117.030,09 pontos (-1,09%).