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    Taxas sobem em reação a alta da CSLL para bancos e receio com PEC Emergencial

    Escrito por Da Redação
    Publicado em 02.03.2021, 18:44:00 Editado em 03.03.2021, 13:39:59
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    Mesmo com a trégua na escalada da T-Note de dez anos nesta terça-feira, 2, os juros voltaram a subir fortemente, influenciados pela piora da aversão ao risco político e fiscal. A reação negativa ao aumento da CSLL dos bancos pela manhã ganhou fôlego ao longo do dia com aumento das preocupações com o futuro da PEC Emergencial, que deve ser votada amanhã, e com a disparada do dólar para até R$ 5,73. As taxas chegaram a avançar até 40 pontos-base nas máximas à tarde, após a informação de que líderes no Senado estão propondo a retirada do Bolsa Família da regra do teto de gastos em 2021, mesmo diante da sinalização de que não haverá fatiamento do texto. Reduziram o ritmo no fechamento após a apresentação do parecer da PEC, do senador Marcio Bittar (MDB-AC), que não traz mudanças relativas ao Bolsa Família e mantém os gatilhos para contenção de gastos.

    As taxas longas foram as mais castigadas e a curva voltou a empinar, com os níveis de inclinação, já muito elevados. As curtas também subiram, com reforço nas apostas de alta de 0,75 ponto porcentual da Selic em março. Nesse contexto, o mercado espera agora um tom duro no discurso do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que participa de evento virtual nesta noite.

    A taxa do contrato e Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 encerrou com taxa de 3,875% (regular) e 3,865% (estendida), de 3,814% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 5,728% para 5,79% (regular) e 5,765% (estendida). A taxa do DI para janeiro de 2025 encerrou em 7,49% (regular) e 7,45% (estendida), de 7,376% ontem. O DI para janeiro de 2027 terminou a regular com taxa de 8,12% e a estendida em 8,08%, de 7,974% ontem no ajuste.

    Enquanto o mercado externo hoje esteve relativamente comportado, no Brasil, o clima foi de tensão, especialmente na primeira parte dos negócios até o meio da tarde. A decisão sobre a elevação da CSLL foi mal recebida não só pelo impacto negativo que dever ter sobre o crédito, mas pela avaliação de que a compensação da desoneração dos combustíveis tem de ser feita via corte de despesas, que o governo parece querer evitar a todo custo.

    À tarde, houve novo estresse com a possibilidade de o Bolsa Família ser retirado da regra do teto. Embora o parecer da PEC não traga tal alteração, os líderes do Senado querem tirar as despesas do programa, calculadas em R$ 34,9 bilhões, do teto de gastos neste ano. A equipe econômica se posicionou contra a tentativa.

    O diretor do ASA Investments, Carlos Kawall, considera tal proposta "absurda", contribuindo para que a curva de juros operasse hoje com dinâmica própria, descolada dos Treasuries. "É a dobradinha populismo com negacionismo fiscal, negação da situação das contas públicas", afirmou, num contexto de agravamento da pandemia, com vacinação lenta.

    Segundo ele, a falta de responsabilidade nas contas públicas pode levar o País na direção da recessão, da estagflação, com risco de o Banco Central ter de elevar a Selic "pelo motivo errado", ou seja, pelo aumento dos prêmios de risco. "Aos 10 minutos do primeiro tempo, já estamos jogando o ano na lata do lixo", disse.

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