Economia

Taxas sobem com mercado realizando lucros com exterior negativo e risco fiscal

Da Redação ·

Os juros futuros fecharam a sexta-feira em alta, com as taxas longas subindo em ritmo mais acelerado do que as curtas, revertendo movimento de desinclinação que prevalecia nos últimos dias em função da postura hawkish demonstrada pelo Banco Central desde o comunicado do Copom. Mas o recado também firme dos demais bancos centrais contra a inflação desde que o Federal Reserve confirmou a aceleração do tapering na quarta-feira acabou por estimular um movimento de realização de lucros nos longos, que vinham caindo muito até a reunião do Fed. O ajuste também teve contribuição da piora na percepção de risco fiscal com o pacote eleitoral de benesses do governo e, à tarde, a derrubada do veto do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões pelo Congresso.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 11,79% (regular) e 11,75% (estendida), de 11,72% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025 subiu de 10,672% para 10,755% (regular) 10,750% (estendida). O DI para janeiro de 2027 fechou em 10,62% (regular) e 10,65% (estendida), de 10,491% ontem.

Nas mesas de renda fixa, profissionais destacam que, com a agenda mais esvaziada, o mercado redobrou as atenções ao exterior, hoje com o Banco do Japão (BoJ) anunciando o início da retirada de medidas emergenciais ligadas à Covid e reforçando a percepção de aperto nas condições de liquidez global já estabelecida pelas ações do Fed, do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra nesta semana.

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Ao mesmo tempo, no Brasil, o Banco Central deixou claras as suas preocupações com a desancoragem das expectativas de inflação, inclusive as de longo prazo, turvando o cenário sobre até onde a Selic pode chegar, num contexto também de permanência das incertezas fiscais. "O que temos hoje na curva é um movimento de realização a partir do que o BC poderá fazer na política monetária num ano de pressão fiscal pela eleição", afirmou o operador de renda fixa da Terra Investimentos Paulo Nepomuceno.

Preocupa o mercado o pacote de bondades lançado pelo governo em meio ao desempenho fraco do presidente Jair Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto para a corrida eleitoral - ontem a pesquisa Datafolha indicou vitória do ex-presidente Lula já no primeiro turno. As medidas, que incluem o Auxílio Brasil, vale gás e possíveis aumentos ao funcionalismo, entre outras, podem superar R$ 90 bilhões, o dobro do déficit de 2022. À tarde, também pegou mal a derrubada do veto ao fundo eleitoral pelo Congresso, dando a sensação de que a equipe econômica perdeu o controle do orçamento.

O economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, lembra que o cenário apresentado pelo Banco Central foi o de que não haveria mais piora no cenário fiscal. "Mas consideramos probabilidade elevada de novas ações expansionistas, que podem ainda não ter receita garantida, visando a eleição presidencial", disse.