Economia

Taxas sobem com declarações de Campos Neto e movimento das curvas no exterior

Da Redação ·

Os juros futuros subiram nesta segunda-feira, completando cinco sessões consecutivas de alta. O gatilho para o movimento de hoje foram as declarações do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, vistas já como um primeiro ajuste na comunicação sobre o plano de voo da política monetária, depois da surpresa negativa do IPCA de março, na sexta-feira.

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A chance de encerrar o ciclo de ajuste da Selic com apenas mais uma alta de 1 ponto porcentual, a 12,75%, em maio parece cada vez menos provável. A curva passou a precificar aperto um pouco mais firme, sobretudo na reunião de junho, com taxa terminal a 13,30%, de 13,25% na sexta-feira. Dada a percepção de elevação mais forte no curto prazo, a ponta longa subiu menos, com alta atribuída ao comportamento de abertura das curvas no exterior.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 voltou aos 13%, fechando em 13,085%, de 12,967% no ajuste de sexta-feira. A do DI para janeiro de 2024 avançou mais de 20 pontos-base, para 12,65%, de 12,432% no ajuste anterior. A do DI para janeiro de 2025 fechou em 11,97%, de 11,77%, e a do DI para janeiro de 2027, em 11,64%, de 11,50%.

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Após saltarem na sexta-feira com o IPCA (1,62%) acima do teto das estimativas (1,44%), as taxas ensaiaram melhora, com queda na abertura, mas que teve vida curta depois que Campos Neto começou a falar, em evento organizado pela Arko e Traders Club (TC). Na leitura dos agentes, o presidente do BC aproveitou a oportunidade para começar a corrigir a sinalização dada no último Copom, de que a Selic subiria somente em mais 1 ponto.

"Ele deu a entender que o BC está reavaliando levar o ciclo até 12,75%", disse o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, segundo o qual o Copom deve promover mais um ajuste de 1 ponto, conforme sinalizado, e deixar os próximos passos em aberto.

Campos Neto alertou que a inflação e seus núcleos "estão muito altos" e que a "surpresa do IPCA" está sob análise para ver se algo muda na tendência. "Temos comunicado com a maior transparência possível o nosso processo de enfrentamento a essa inflação mais alta e persistente", completou.

Nas apostas para a Selic, não houve alteração na precificação para o Copom de maio, com 100% de chance para alta de 1 ponto, mas cresceu a probabilidade de um aperto maior em junho, com deslocamento de prêmio da reunião de agosto. Na sexta-feira, o quadro estava em 60% para alta de 0,5 ponto e 40% para 0,25 ponto e, hoje, a curva projetava 60% de chance para 0,75 ponto e 40% para 0,5 ponto. Para o Copom de agosto, a precificação de 33 pontos na sexta hoje caiu para apenas 15 pontos. Os números são da Greenbay Investimentos.