Economia

Taxas futuras de juros iniciam sessão mistas com IPCA, dólar e crise política

Da Redação ·

O IPCA de junho (0,53%) perto do piso (0,52% a 0,79%) das estimativas captadas pelo Projeções Broadcast apoia a leve queda das taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) nos vértices mais curtos nesta quinta-feira, 8. O agravamento da crise político-institucional - por conta da voz de prisão em plena CPI da Covid ontem, nota de repúdio pública pelos comandantes das Forças Armadas, novos ataques do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao STF, e impasse na reforma tributária - não permitem um relaxamento da pressão sobre as taxas mais longas, tampouco o dólar em alta ante o real.

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Assim, apesar de terem oscilado perto dos ajustes de ontem nas mínimas intraday, os contratos intermediários e longos estão em alta. A queda dos rendimentos das T-Notes americanas, dos bônus (Bund) alemão de 10 anos após revisão da estratégia de política monetária do BCE não chegam a influenciar as taxas nesta abertura.

O dólar em alta no mercado doméstico, assim como perante a maioria das moedas emergentes, contribui para a alta dos DIs. O DI para janeiro de 2022 abriu a 5,815% e, logo depois da abertura, bateu mínima a 5,745% ante 5,773% no ajuste anterior. DI para janeiro de 2027 abriu a 8,75% ante 8,67% no ajuste anterior. O Dollar Index cai cerca de 0,19% às 9h12.

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Depois do banco central dos Estados Unidos, que na quarta-feira trouxe visão menos "hawkish" na leitura da ata pelo mercado, o Banco Central Europeu (BCE) divulgou hoje revisão de política monetária e apontou que a inflação poderá ficar moderadamente acima da meta de inflação - de 2% - em um período transitório.

A divulgação do BCE foi sucedida por queda levemente mais acentuada do Dollar Index (DXY), enquanto as taxas das T-Notes recuam, o euro tem alta moderada ante o dólar americano e o juro do título (Bund) alemão de 10 anos recua a -0,33% (perto das 8h36). É primeira vez em cerca de três meses que o rendimento do Bund é negociado abaixo do -0,30%.

A crise política no Brasil ontem ganhou personagens de peso. Os comandantes das Forças Armadas emitiram nota de repúdio ao tom das críticas do presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), que deu voz de prisão a Roberto Dias, envolvido nas denúncias de corrupção e superfaturamento da vacina Covaxin. Eles escreveram: "As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro".

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Em defesa a Aziz, os senadores e também a OAB se pronunciaram. "O Legislativo, por meio da CPI, cumpre função de fiscalizar a administração pública - todos que a compõem. Descabida é toda tentativa de intimidar o Senado por estar cumprindo seu papel constitucional", rebateu o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, no Twitter.

Hoje cedo, a FGV divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) apresentou alta de 0,80% na primeira quadrissemana de julho, após 0,64% no fechamento de junho. O indicador acumula alta de 8,63% em 12 meses, maior do que o avanço de 8,47% no período até junho.