Economia

Taxas de juros sobem com pressão do dólar e do petróleo sobre os combustíveis

Da Redação ·

Os juros futuros sustentaram-se em alta durante toda a sexta-feira, refletindo preocupações com o efeito do avanço do dólar e do petróleo sobre os preços dos combustíveis e, logo, na inflação. Dado que estes dois fatores orientam a política de preços de paridade de importação (PPI) da Petrobras, a percepção é de iminência de reajustes sobre preços já salgados. A postura defensiva teve ainda respaldo da abertura das taxas longas dos Treasuries.

continua após publicidade

Na semana, as taxas locais fecharam em níveis bem mais elevados do que os da última sexta-feira, mas sem mudança significativa nas inclinações, na medida em que a curva subiu em bloco.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou a etapa regular em 13,34%, de 13,239% no ajuste de quinta-feira, e a do DI para janeiro de 2024 avançou de 12,886% para 13,055%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa na máxima de 12,565%, de 12,325% na quinta-feira, e a do DI para janeiro de 2027, também na máxima, terminou em 12,39%, de 12,19%.

continua após publicidade

A atenção do mercado de juros esteve nesta sexta-feira bastante direcionada ao petróleo e ao dólar, que voltaram a subir, alimentando a percepção de que, a despeito das críticas do governo à política de preços da Petrobras, um reajuste da gasolina e diesel está a caminho. O petróleo subiu perto de 5% esta semana e o dólar nesta sexta chegou a R$ 5,11 nas máximas do dia, fechando em R$ 5,0754.

As cotações das commodities agrícolas até cederam nesta sexta, mas o economista-chefe da Greenbay Investimentos, Flávio Serrano, afirma que "está todo mundo de olho nos combustíveis, dado que a defasagem esta aumentando".

Analistas calculam em mais de 20% o diferencial ante os preços internacionais. Caso o aumento dos combustíveis se concretize, a tendência é de piora nas estimativas de inflação, que já rodam bem acima das metas para este e o próximo ano, exigindo mais da política monetária.

continua após publicidade

Na pesquisa do Projeções Broadcast, realizada enquanto durar a paralisação do boletim Focus devido à greve de servidores do Banco Central, a mediana de IPCA para 2023 manteve-se em 4,10%, ante meta central de 3,25% para o ano que vem. Para a Selic, a mediana caiu de 9,25% para 9,0%.

O Copom já avisou no comunicado que pretende dar mais uma dose de aperto na Selic em junho, em menor magnitude do que a de 1 ponto porcentual desta semana. Qual será o grau de redução é o que o mercado espera depreender da ata da reunião que sai na terça-feira e se já será possível vislumbrar o fim do ciclo de ajuste.

No exterior, os juros dos Treasuries de longo prazo avançaram com o payroll acima do esperado e o mercado ampliando as fichas na possibilidade de aceleração do ritmo de aperto monetário nos Estados Unidos, para 75 pontos-base. "Em abril, o país criou 428 mil vagas de emprego, ante consenso de 400 mil. O yield da T-note de 10 anos avançava a 3,122% no fim da tarde.