Economia

Taxas de juros sobem com clima de aversão ao risco no exterior

Da Redação ·

Os juros futuros fecharam a quinta-feira em alta. Pela manhã, até ensaiaram correção do avanço de quarta-feira, na esteira da queda nos preços do petróleo e da melhora do câmbio, mas que não teve sequência na etapa vespertina. As taxas zeraram o sinal de baixa, que já era discreto, e passaram a oscilar em alta, renovando máximas a poucos minutos do término da sessão regular, na medida em que crescia ao longo do dia o temor de estagflação global.

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Internamente, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostrou resultado bem acima do consenso das estimativas, um dia depois do IPCA ter surpreendido negativamente. Em meio ao clima de cautela nos mercados, o Tesouro trouxe lotes menores de prefixados e ainda assim não conseguiu colocar todo a oferta dos papéis mais longos.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023, o mais líquido, terminou a etapa regular em 13,40%, de 13,334% no ajuste anterior. A do DI para janeiro de 2024 subiu de 13,046% para 13,16%, e a do DI para janeiro de 2025, de 12,44% para 12,52%. O DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 12,36%, de 12,305%.

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A inflação no atacado nos Estados Unidos de abril até veio dentro do esperado, mas não serviu de consolo para tranquilizar o mercado em relação a um aperto monetário mais forte pelo Federal Reserve, o que tem potencial para enfraquecer a economia americana. Além disso, a China dá sinais de perda de fôlego em função dos lockdowns para controlar a onda de covid-19 e a Europa sofre com a guerra na Ucrânia.

Nesse contexto, investidores buscaram a segurança dos Treasuries e do dólar, fugindo de ativos de risco. A taxa da T-Note de dez anos vai se afastando da marca de 3%, marcando 2,85% no fim da tarde, mas no Brasil o real esteve bem comportado, oscilando ao redor da estabilidade durante a tarde.

O operador de renda fixa da Nova Futura André Alírio disse que mesmo com os yields dos Treasuries em baixa a curva brasileira acaba sofrendo pela leitura do que está por trás do movimento. "O Banco Central entrou num ajuste fino da política monetária que vai depender muito das ações do Fed, que parece que vai agir de forma contundente contra a inflação", afirmou Alírio, para quem, no entanto, a expectativa são várias altas de 50 pontos-base e não de aceleração para 75 pontos. "Até que fique claro para onde vai o Fed, os mercados vão ficar testando limites", completou.

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No Brasil, a leitura do IPCA de abril acima do consenso continuou fazendo preço nesta quinta na curva, o que, somado aos dados de atividade da semana, que surpreenderam positivamente, sugere que a economia ainda não sente, ou sente muito pouco, os efeitos do aperto da política monetária do Banco Central. Nesta quinta, o IBGE informou que o volume de serviços em abril avançou 1,7%, ante mediana de +0,8%.

"Para o segundo trimestre, a atividade deve começar a sentir ainda mais os efeitos de uma política monetária contracionista, embora parte do consumo seja sustentado pela distribuição de uma parcela de FGTS e adiantamento do 13º salário dos aposentados, tanto no varejo quanto nos serviços", afirmam os economistas do Banco original.

Em meio ao ambiente pesado no exterior, o Tesouro reduziu a oferta de LTN no leilão desta quinta-feira de 11,5 milhões na semana passada para 8 milhões, vendida integralmente. Manteve o lote de 300 mil NTN-F, mas vendeu apenas 180 mil.