Economia

Taxas de juros caem no dia com exterior e fatores técnicos, mas sobem em junho

Denise Abarca (via Agência Estado) ·
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No aguardo da votação da PEC dos Combustíveis no Senado, prevista para esta quinta-feira, o mercado de juros olhou para o exterior, acompanhando o fechamento das curvas globais e a queda dos preços das commodities. O dia foi marcado ainda por fatores técnicos relacionados a ajustes típicos de fim de mês e de semestre e a eventos importantes para o mercado de renda fixa da sexta-feira, entre eles vencimento de Letras do Tesouro Nacional (LTN).

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O leilão de títulos prefixados bem menor do que o anterior ajudou a abrir espaço para a devolução de prêmios de risco. No balanço do mês, não houve mudança relevante nos níveis de inclinação em geral, porque tanto taxas curtas quanto longas subiram por volta de 50 pontos-base em relação ao fim de maio.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou a sessão regular em 13,785%, de 13,795% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2024 encerrou na mínima de 13,38%, de 13,571% na quarta-feora. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 12,715%, de 12,875%. A do DI para janeiro de 2027 caiu de 12,775% para 12,65%.

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O gestor de renda fixa da Sicredi Asset, Cassio Andrade Xavier, destaca que nesta quinta as curvas no exterior cederam bem apesar dos indicadores favoráveis da economia da China. Os índices de gerentes de compras (PMI, em inglês) oficiais subiram, cruzando a marca de 50 pontos que marca expansão. "Mas as curvas acabaram fechando com o índice PCE dos EUA, melhor do que o esperado", disse. O núcleo do indicador, que é o índice de preços preferido do Federal Reserve, avançou 0,3% em maio, ante consenso de alta de 0,4%. Em termos anualizados, a taxa caiu de 4,9% para 4,7%, nível ainda muito elevado.

De todo modo, a inflação mais fraca aliviou a pressão nos Treasuries, com o rendimento das taxas das T-notes de 2 e 10 anos caindo mais de 10 pontos-base, voltando a ficar abaixo dos 3%. A curva local acompanhou, influenciada ainda pelo tombo das commodities metálicas e agrícolas e do petróleo, de 3%.

"Os resultados de hoje da inflação dos EUA corroboram movimento ainda lento de desaceleração dos preços, mas importante para 'suavizar' os juros futuros no Brasil e os yields das treasuries no exterior", afirma o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho.

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Xavier, da Sicredi Asset, disse ainda que o mercado esteve à espera da votação da PEC dos Combustíveis. "Fica no radar até que ponto a porta ficará aberta a novas aventuras fiscais", observou. Nesta tarde, partidos de oposição tentaram retirar o estado de emergência do texto, argumentando que tal recurso não encontra respaldo no arcabouço legal vigente. De última hora, no fim da tarde, ainda havia negociação para inclusão de mais uma benesse no texto, um vale-gasolina para taxistas, com impacto fiscal de R$ 2,5 bilhões.

Na agenda do dia, a Pnad Contínua mostrou queda na taxa de desemprego para 9,8% no trimestre até maio, maior que a apontada pelo consenso de mercado (10,2%) e no menor patamar para o período desde 2015, mas que não chegou a fazer preço nas taxas. Do mesmo modo, o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) veio relativamente dentro do esperado, também porque em boa medida o principal já havia sido antecipado na semana passada pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e pelo diretor de Política Econômica, Diogo Guillen.

A curva do DI e o mercado secundário de títulos foram adicionalmente influenciados nesta quinta pelos ajustes decorrentes do vencimento de R$ 111 bilhões de LTN, pagamento de R$ 22,3 bilhões em cupons de NTN-F e rebalanceamento dos fundos referenciados em IRF-M, na sexta. No leilão de prefixados, o último antes da virada do trimestre, o Tesouro reduziu à metade (5,5 milhões) a oferta de LTN ante a operação da semana passada (10 milhões) e diminuiu de 450 mil para 300 mil o lote de NTN-F.