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Taxas de juros caem com cenário eleitoral equilibrado e abertura fraca do PIB no 2º trimestre

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O acirramento das tensões entre Estados Unidos e Irã, com ameaças renovadas de ambos os lados e novos ataques, e o ganho de fôlego do petróleo, que encerrou em alta de 5%, não foram suficientes para tirar os juros futuros da dinâmica de alívio observada em boa parte da sessão desta terça-feira, 1º de agosto.

Em mais um dia em que o cenário externo adverso teve menor peso, as taxas chegaram a recuar pouco mais de 10 pontos-base no vértice longo, com nova rodada de pesquisas que reforçaram a percepção de que a disputa eleitoral está bastante equilibrada, podendo resultar em derrota do incumbente. Já na ponta curta, o PIB do segundo trimestre ligeiramente acima do previsto chegou a pressionar as taxas em um primeiro momento, mas a fraqueza da demanda doméstica acabou por endossar a tese de que há espaço para mais cortes da Selic.

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Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 13,61%, no ajuste da véspera, a 13,585%. O DI para janeiro de 2029 anotou baixa a 14,11%, vindo de 14,188% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 recuou de 14,499% a 14,39%.

Antes da abertura, foi publicada a pesquisa Real Time Big Data, que trouxe o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) empatados no segundo turno, com 44% das intenções de voto. Em julho, Lula tinha 45% e Flávio, 42%. Na edição atual, o petista tem 38% no primeiro turno, contra 30% de Flávio e 11% do candidato do Avante, Augusto Cury, que cresceu nas últimas enquetes.

Para Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, o fator político foi o principal vetor responsável pela queda dos juros nesta terça. "Todo mundo está exclusivamente focado neste assunto. Ontem segunda-feira tivemos dados muito ruins do fiscal e era para ter sido um dia complicado, mas as pesquisas fizeram preço e ajudaram os DIs a fechar", disse.

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Em igual sentido, nesta terça, o quadro externo piorou, apontou Tavares, e mesmo assim as taxas futuras continuaram cedendo. "É inegável que o Flávio renasceu nas últimas pesquisas, depois de ter piorado muito nas últimas duas semanas, e o mercado engatou um otimismo", comentou o economista, observando que, toda vez que as pesquisas consolidam uma visão de melhora da direita, isso tem efeito direto nos preços, devido à expectativa de que reformas sejam implementadas no próximo governo. "O mercado vai dar o benefício da dúvida para qualquer um de oposição".

Sobre o PIB do terceiro trimestre - que superou levemente o consenso de mercado de 0,4%, ao avançar 0,5% ante o segundo trimestre, na comparação dessazonalizada - o economista da BGC avalia que o número foi interpretado como fraco à luz do ânimo com o cenário eleitoral. "Confesso que não vejo tanta qualidade na abertura dos dados", disse.

Apesar do headline um pouco mais forte, a leitura de economistas foi de que o resultado cheio não foi tão aquecido quanto sugere, porque a demanda doméstica perdeu tração, ao passo que, do lado da oferta, o crescimento foi impulsionado pela agropecuária e pela indústria extrativa, com desaceleração de setores mais cíclicos.

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Excluindo a agropecuária, o PIB avançou apenas 0,2% frente ao trimestre imediatamente anterior, calcula o economista do Santander Henrique Danyi. Já desconsiderando o setor agro e a mineração, houve alta de 0,1% no período. "Esses números reforçam a perda de fôlego nos componentes da atividade mais sensíveis à demanda. Mantemos nossa projeção de crescimento do PIB para o ano cheio de 2026 em 1,8%", comentou Danyi.

Segundo Flávio Serrano, economista-chefe do banco Bmg, o PIB ajudou, ainda que de forma comedida, a sustentar as apostas de novas reduções no juro básico. Em seus cálculos, a curva de juros embutia no fim desta tarde 100% de chance de corte de 0,25 ponto da Selic em setembro. Para novembro, essa probabilidade estava em 60%.

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