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    Taxas curtas sobem com reforço nas apostas de alta da Selic

    Escrito por Da Redação
    Publicado em 26.02.2021, 18:42:00 Editado em 26.02.2021, 18:48:32
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    Os juros futuros fecharam a sexta-feira em alta até os vencimentos intermediários e perto da estabilidade nos demais prazos. O mercado operou com um olho no sinal dos Treasuries e outro nos ajustes para inflação e Selic, em novo dia de escalada do dólar à marca de R$ 5,60. A queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano conseguiu trazer respiro para a ponta longa, favorecendo leve desinclinação da curva hoje, mas com aumento em torno de 15 pontos-base no balanço da semana.

    As taxas a partir de 2025 fecharam perto da estabilidade, enquanto as demais subiram, refletindo a percepção da necessidade de maior aperto na política monetária, em função do riscos fiscais, da piora do câmbio e das expectativas de inflação - o Itaú Unibanco revisou sua projeção de juro básico para 5% no fim do ano. Não por acaso, apareceram hoje na curva apostas de 0,75 ponto porcentual no juro básico no Copom de março e de maio. Na ponta longa, o alívio do dia é visto apenas como uma pausa patrocinada pelo exterior, dado o pessimismo com o andamento das reformas e a visão de que o movimento benigno dos Treasuries hoje também não representa tendência.

    A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 encerrou em 3,76% (regular) e 3,74% (estendida), de 3,668% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 passou de 5,468% para 5,59% (regular) e 5,585% (estendida). O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 7,22% (regular) e 7,23%(estendida), de 7,176% ontem, e a do DI para janeiro de 2027 fechou em 7,85% (regular) e 7,84% (estendida), de 7,84%.

    Ao contrário dos últimos dias em que a ponta longa esteve na berlinda, hoje chamou a atenção a trajetória ascendente dos contratos até o miolo da curva, principalmente os curtos. Os analistas vêm elevando dia a dia sua expectativa para inflação o que, inevitavelmente, pressiona também as projeções para a Selic, num contexto muito ruim para o real. "Há uma certa fraqueza da atividade que ajuda a segurar um pouco a inflação, mas o choque de preços de commodities lá fora é muito forte e, sem a contrapartida da apreciação da moeda, é difícil segurar", explicou o estrategista da Western Asset, Adauto Lima.

    Além de revisar de forma agressiva sua projeção de Selic de 3,5% para 5% no fim de 2021, o Itaú Unibanco elevou sua estimativa para a taxa de câmbio, de R$ 4,75 para R$ 5,00. Já o Bradesco informou nova expectativa de IPCA para o fim do ano, para 3,9%, de 3,5%, com o câmbio estimado agora em R$ 5,30, de R$ 5,00 anteriormente.

    Relatório do Banco Fator, elaborado pelo economista-chefe José Francisco Lima Gonçalves, afirma que "as taxas nominais incorporam os riscos domésticos (fiscal e Bolsonaro)", além dos preços dos ativos pelo mundo. "A pressão sobre o BC, o Copom, vai se tornando irresistível", diz.

    Os rendimentos dos títulos dos EUA hoje caíram e deram trégua para a curva longa por aqui. De todo modo, a percepção geral é de que a curva americana continuará abrindo na medida em que for se consolidando o processo de vacinação contra covid nos Estados Unidos e, ainda mais, se aprovado o pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão.

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