Economia

Queda externa estimula realização, mas Caged limita queda do Ibovespa

Da Redação ·

A queda das bolsas internacionais abre espaço para realização de lucros na B3. Ontem, o Ibovespa saltou quase 2.100 pontos, fechando aos 104.477,08 pontos. O impulso foi reflexo da expectativa de apresentação de uma proposta do pacote de US$ 1 trilhão no Senado dos EUA, o que acabou se confirmando. Agora, fica no radar as negociações desse plano, que prevê a prorrogação até setembro do benefício de auxílio-desemprego pago a americanos, para conter os efeitos da pandemia de coronavírus, e também a redução do valor de US$ 600 para US$ 200.

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Porém, o resultado menos negativo do Caged em junho ajuda a limitar as perdas do Ibovespa. "Mostrou menos pessoas desempregadas, e isso animou", diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, ao referir-se à tentativa de alta do índice Bovespa após a divulgação do dado. Na máxima, marcou 104.560,15 pontos.

Em junho, conforme o Ministério da Economia, houve fechamento de 10.984 postos formais no Brasil. O resultado de junho ficou distante do intervalo das estimativas de analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast. As projeções eram de fechamento líquido de 385.705 a 118.000 em junho, com mediana negativa de 195.193 postos de trabalho

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Além disso, o noticiário corporativo intenso também ajuda a limitar a queda do Ibovespa hoje. Mais cedo, o Carrefour informou lucro líquido de R$ 713 milhões no segundo trimestre, o que representa expansão de 74,9% em relação a igual período de 2019. As ações da companhia lideram a lista de maiores altas do Ibovespa, subindo 8,52%, às 11h07. O crescimento pode gerar expectativas otimistas em relação a outros resultados do setor. Pão de Açúcar ON subia 2,88%.

Após o fechamento do pregão, serão informados os balanços da CSN, Cielo, Minerva e Smiles. Mas amanhã é que tende a ganhar intensidade, com as divulgações dos números de Petrobras e Vale.

Para Marcel Zambello, analista da Necton Investimentos, os resultados corporativos do segundo trimestre serão condutores importantes para o Ibovespa retomar e firmar-se nos 105 mil pontos. "Precisa de um driver para romper essa barreira técnica, e isso é a temporada de balanços", afirma.

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A despeito da expectativa de resultados mais fracos em relação ao primeiro trimestre, por captar o período maior de suspensão das atividades no País por causa da pandemia, Zambello acredita que os números podem surpreender positivamente, sugerindo que o processo de retomada por ser mais rápido que o esperado. "A projeção para o PIB deste ano na Focus chegou a mostrar queda de 6,5%, e agora está indicando recuo de 5,77%", diz, ponderando que ainda é preciso cautela pois a taxa de desemprego ainda pode piorar.

Fora dos balanços, há a informação de que a Claro, a TIM e a Telefônica fizeram uma nova proposta para adquirir os serviços de telefonia móvel da Oi, que está em recuperação judicial. O valor ofertado é de R$ 16,5 bilhões, acima do mínimo de R$ 15 bilhões esperado pela Oi. Além dessas três operadoras, a Highline do Brasil também demonstrou interesse pelo negócio. As ações de TIM e Vivo reagiam em alta de 1,85% e de 1,75%, respectivamente.

Já a Justiça concedeu recuperação judicial ao Grupo Odebrecht e de mais 11 empresas do conglomerado. Agora, a companhia pode ter base legal e segurança para dar andamento ao processo de venda da Braskem. Contudo, dependerá de entendimento com a Petrobras, com a qual divide o controle da petroquímica.

E por falar em Petrobras, a estatal pagou US$ 3,5 bilhões de linha de crédito compromissada de US$ 8 bilhões, além de ter informado que deu início à etapa de divulgação da oportunidade da venda de sua participação na área de exploração e produção na Colômbia. Já a Vale estendeu por 45 dias o prazo para concluir venda da operação em Nova CC, na França. Os papéis da mineradora cediam 1,52%, enquanto os da Petrobras recuavam 0,56% (PN) e 0,59% (ON).